Intervenção do Ministro dos Negócios Estrangeiros no Ciclo de Conferências «A Europa na Encruzilhada»: «O que significa participar ativamente no debate europeu?»
Nas apresentações públicas, que são sempre ocasião e pretexto para refletir em voz alta, gosto de organizar os meus pensamentos enunciando uma pergunta e tentando responder-lhe. É uma técnica típica de um cientista profissional, porque, tal como ensino aos meus alunos, todo o conhecimento começa com uma pergunta. Uma pergunta bem formulada é um começo auspicioso e, como dizia Aristóteles, o começo é metade do todo.
Neste caso, pensei em enunciar como pergunta uma frase que, se não está no programa do Governo, está no meu primeiro discurso ao Seminário Diplomático, em 2016. Diz respeito ao compromisso e vontade de Portugal participar ativamente na construção europeia: o que queremos dizer com esse desejo de participação ativa no processo da construção europeia?
A formulação é intencionalmente pleonástica porque a participação já implica alguma forma de ação. É preciso ter ainda em conta que esta formulação – "participação ativa" – não se constrói por oposição ao seu aparente contrário, que seria uma "participação passiva", como objeto e não sujeito. Não é a esse esquematismo que me refiro. Mas vale a pena pensar na forma como nos inserimos no projeto europeu, como fomos desenvolvendo a nossa participação nele e como hoje orientamos essa participação por este lema parcialmente pleonástico.
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