OE baixa impostos em 291 milhões face ao previsto para 2016
OE baixa impostos em 291 milhões face ao previsto para 2016

Ministro das Finanças, Mário Centeno, na audição da Comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa sobre o Orçamento do Estado, Assembleia da República, 10 fevereiro 2016 (Foto: Mário C
Orçamento do Estado, 10 fevereiro 2016
«O total de impostos cobrados será 291 milhões de euros mais baixo» do que o previsto para 2016 no Programa de Estabilidade e Crescimento negociado com a UE pelo Governo anterior, afirmou o Ministro das Finanças na apresentação da proposta de Orçamento do Estado à Comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa da Assembleia da República.
Mário Centeno acrescentou que «com o Orçamento de 2016, o peso dos impostos diminuirá 0,22 pontos percentuais do PIB».
O Ministro afirmou que «nenhum dos principais impostos teve as suas taxas agravadas. O IRC, o IRS e o IVA não foram alterados, procurando acautelar a desejável estabilidade fiscal». Aliás, «para o IVA estava projetado um crescimento de 7,2% no Programa de Estabilidade», mas neste Orçamento «ele cresce o mesmo que o consumo privado nominal, 3,6%».
Descem os impostos diretos
O aumento nominal da receita fiscal só acontece «porque assim sempre acontece em economias que crescem. Neste Orçamento podemos mesmo dizer que, com um crescimento nominal de 3,9% do PIB e de 3,6% do Rendimento Disponível, a receita de IRC e de IRS diminuem», sublinhou Mário Centeno.
Para além de diminuir a carga fiscal, o Orçamento faz «uma recomposição fiscal virtuosa, amiga do crescimento. Com a economia a crescer, ainda assim, descem os impostos diretos sobre as empresas e as famílias (uma variação de -2%)».
O aumento da receita com impostos indiretos (mais 6,6%) verifica-se pelo aumento «apenas em impostos especiais, em que se associam finalidades extrafiscais, como o desincentivo ao endividamento das famílias e o equilíbrio das contas externas. Estes impostos (tabaco, ISV, Álcool) sofrem uma atualização base de 3%», disse ainda o Ministro.
Rigor e exigência
O Orçamento do Estado para 2016 pretende «prosseguir uma gestão orçamental equilibrada, com a diminuição da carga fiscal e a recuperação do rendimento das famílias e das empresas», afirmou.
Mário Centeno disse também que «virar a página da austeridade não significa governar sem rigor e sem exigência, fora de um quadro de restrições. Significa, pelo contrário, ter a noção exata dos problemas com que o país se confronta e das suas causas, mas ter a coragem e a determinação de fazer escolhas para os resolver».
O Ministro citou ainda dois exemplos das escolhas do Orçamento:
- a cláusula de salvaguarda no IMI e fim da isenção do IMI para os fundos imobiliários;
- a dedução fixa de 550 euros por filho, independente do rendimento do agregado familiar, que beneficia 80% das famílias, substituindo o quociente familiar, que deixava de fora 70% das famílias.
«Este orçamento inicia um caminho de transformação estrutural da economia portuguesa, assente numa visão estratégica de longo prazo», disse também.
