Ministra da Justiça diz que Conselhos Superiores da Magistratura são garantes do Estado de Direito
Ministra da Justiça diz que Conselhos Superiores da Magistratura são garantes do Estado de Direito

Sessão solene de abertura da Reunião dos Conselhos Superiores de Justiça e dos Pontos de Contato da Rede Judiciária da CPLP, 19 abril 2016 (Foto: Manuel de Almeida/Lusa)
Lusofonia, 19 abril 20160
A Ministra da Justiça salientou o papel dos Conselhos Superiores da Magistratura (CSM) como «órgãos essenciais à salvaguarda institucional dos Juízes e da sua independência e, deste modo, do bom funcionamento dos Tribunais e do Estado de Direito».
Francisca Van Dunem falava na sessão solene de abertura da Reunião dos Conselhos Superiores de Justiça e dos Pontos de Contato da Rede Judiciária da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que decorreeu em Lisboa.
Para a Ministra, é na razão e fundamento dos CSM que reside a «garantia das condições formais e substanciais da liberdade de julgar dos juízes; a liberdade contra instruções ou orientações de quaisquer autoridades; a liberdade face a possíveis formas de pressão; a liberdade de decisão responsável do caso concreto em função do direito e da justiça».
Numa cerimónia presidida pelo Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, e perante uma plateia onde se encontravam os Presidentes dos Supremos Tribunais de Justiça e dos CSM de Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau e São Tomé e Príncipe, a Ministra da Justiça de Portugal evocou a história que une estes países.
«E se a língua e a cultura nos unem, apesar de tanto mar nos separar, é importante que retenhamos, neste lugar de encontro, que também o direito e a justiça nos juntaram, quando as aspirações de liberdade e de independência nos congregaram para uma luta comum, em diferentes palcos, contra um regime que suprimia as liberdades cívicas e negava as aspirações de independência dos povos colonizados», afirmou, acrescentado que é esse passado «que nos responsabiliza ainda mais intensamente, na defesa das instituições democráticas e na construção de um futuro de liberdade».
Francisca Van Dunem sublinhou ainda a importância do encontro dos pontos de contacto da Rede Judiciária, no contexto da ligação institucional e da cooperação entre os órgãos jurisdicionais dos oito Estados «que a compõem assume, no regular funcionamento dos sistemas judiciais e, em última instância, na correta administração da justiça».
Plano de Modernização tecnológica como instrumento inspirador na CPLP
A Ministra da Justiça lembrou que a proximidade entre os países da CPLP origina trocas intensas e fluxos permanentes de pessoas e que as múltiplas situações de famílias repartidas entre dois territórios, geram com regularidade a necessidade de cooperação entre os vários Tribunais.
«Estas situações são mais prementes em matérias associadas a crianças e jovens, de que emergem contenciosos na área da regulamentação das responsabilidades parentais, das medidas tutelares ou de promoção e proteção», constatou.
Neste contexto, afirmou que é importante encontrar formas seguras de comunicação por via eletrónica, «rompendo com a maldição do tempo, que emperra a marcha dos processos, sempre que se impõe a prática de atos noutro país».
«Teremos seguramente condições para o fazer. Este tema é, aliás, especialmente caro ao Governo português, fortemente empenhado num Plano de Modernização Tecnológica do Sistema Judicial, que visa melhorar a qualidade da justiça, tornando-a mais ágil, mais transparente e mais próxima dos cidadãos», acrescentou.
«Estamos convictos de que este Plano de modernização, potenciado pelo digital e ancorado numa lógica de simplificação e inovação, pode ser um instrumento inspirador para os nossos trabalhos na área da Justiça, no quadro da CPLP», concluiu.
Foto: Sessão solene de abertura da Reunião dos Conselhos Superiores de Justiça e dos Pontos de Contato da Rede Judiciária da CPLP, 19 abril 2016 (Foto: Manuel de Almeida/Lusa)
