«Não podemos viver tranquilos com 100 mil jovens desempregados»
«Não podemos viver tranquilos com 100 mil jovens desempregados»
O Primeiro-Ministro afirmou que o número de jovens desempregados em 2016 desceu de 32,8% para 26,1% mas que Portugal tem de ser capaz de «fazer mais e fazer melhor».
«Ninguém se pode conformar, nem ninguém pode conviver de consciência tranquila quando sabemos que, apesar de termos reduzido já bastante, ainda há 100 mil jovens desempregados», disse António Costa no encerramento do XX Congresso da Juventude Socialista, na Póvoa de Varzim.
O Primeiro-Ministro referiu que ter «100 mil jovens desempregados significa que o País está a perder e a desperdiçar a capacidade mais produtiva, mais criativa e mais bem qualificada de que dispõe». «Não podemos viver tranquilos com 100 mil jovens desempregados», acrescentou.
António Costa destacou que os números de redução são positivos e demonstram que o Governo está no caminho certo. «Não é preciso andar a financiar falsos estágios e falsas contratações para diminuir a estatística do desemprego», disse.
«Com as políticas que estamos a seguir não precisamos de disfarçar, porque as estatísticas estão a melhorar, não com base em truques, mas com base na criação efetiva de postos de trabalho dignos e não precários», realçou ainda.
Plano contra a precariedade
O Primeiro-Ministro afirmou que o Governo vai apresentar o plano nacional de combate à precariedade e aumentar o número de fiscais na Autoridade para as Condições de Trabalho para fiscalizar os abusos que são cometidos.
«Vamos avançar com o contrato geração em duas modalidades: a modalidade de contratação simultânea de um jovem desempregado com um desempregado de longa duração e a modalidade de possibilidade de quem mais anos trabalhou poder ter uma reforma a tempo parcial em contrapartida da criação de um posto de trabalho a tempo inteiro para um jovem que esteja desempregado», acrescentou.
António Costa disse que «esta é a sociedade de gerações» que o Governo quer construir.
Balanço positivo
O Primeiro-Ministro fez também um balanço positivo do primeiro ano de governação: «Cumprimos o que nos comprometemos em matéria de reposição de rendimentos, vamos cumprir o que nos comprometemos em matéria de redução do défice, estamos a cumprir em matéria de criação de postos de trabalho e em redução do desemprego».
Para 2017, o Primeiro-Ministro referiu que a política de habitação será uma das prioridades. «É uma questão chave, uma questão essencial e que é transversal, porque mobiliza desde logo um setor que foi diabolizado e destruído durante quatro anos, que foi o setor da construção», disse.
António Costa considerou o setor da construção essencial por dois motivos: «Para que muita gente da minha geração possa reencontrar oportunidades de trabalho e para que a vossa geração possa encontrar alternativas que sejam compatíveis com o acesso à habitação e, simultaneamente de renovarmos e rejuvenescermos as nossas cidades», disse, dirigindo-se aos jovens presentes no congresso.
O Primeiro-Ministro disse ser necessário dar prioridade à reabilitação e à criação de mecanismos de arrendamento acessível, «para que seja possível que as novas gerações tomem conta das cidades, que não podem continuar a envelhecer com quem lá vive e a rejuvenescer só com quem lá passa, como Erasmus ou a passar um fim de semana».
