Cimeira dos países do sul da Europa em Lisboa
Cimeira dos países do sul da Europa em Lisboa
Os Chefes de Estado ou de Governo de Portugal, Espanha, França, Itália, Malta, Grécia e Chipre reúnem-se em Lisboa a 28 de janeiro para concertarem posições sobre as políticas da União Europeia, nomeadamente as respeitantes ao crescimento económico, ao investimento e à convergência entre as economias da União, à segurança interna e externa comum e às migrações e cooperação com os parceiros do Mediterrâneo e da África.
Esta segunda cimeira, de natureza informal, dos países do sul da União Europeia - a primeira realizou-se em Atenas em 9 de setembro de 2016 - reafirmará a confiança dos sete países no projeto europeu e a convicção de que a construção de uma União Europeia mais forte e mais coesa é uma prioridade que corresponde ao interesse nacional de cada um dos países.
A cimeira informal servirá também apresentar contributos concretos para a reflexão que o Conselho Europeu lançou na cimeira de Bratislava sobre o futuro do projeto da União.
Os Chefes de Estado ou de Governo reafirmarão o valor que atribuem à troca de impressões a este nível entre parceiros que, pela geografia, as relações históricas de vizinhança, e as afinidades culturais, partilham também perspetivas comuns em várias matérias da construção europeia.
A mensagem principal que Portugal pretende promover nesta Cimeira, e para a qual espera contar com o apoio dos países do sul, é a de que a União apenas poderá vencer os desafios que se lhe colocam se estiver unida e coesa. E que, para isso, é condição necessária ter consolidado os avanços já alcançados – em particular o euro – antes de avançar em novos domínios de aprofundamento da integração europeia.
Convergência
Uma união monetária incompleta não permite corrigir as assimetrias e desequilíbrios existentes entre as diferentes economias, minando a possibilidade de crescimento económico equilibrado e sustentável, o que conduz à inevitável crise de confiança dos cidadãos no projeto europeu.
O Primeiro-Ministro António Costa apresentará as conclusões do Seminário «Consolidar o Euro; Promover a Convergência» e de promover um debate sobre algumas das propostas nele formuladas: um novo mix de políticas que conjugue a política monetária do BCE com a coordenação das políticas orçamentais dos Estados Membros; a conclusão da União Bancária através da concretização do sistema europeu de garantia de depósitos; o reforço dos instrumentos europeus de apoio ao investimento público e privado, discriminando positivamente as economias mais afetadas pelos programas de ajustamento orçamental; a criação de uma capacidade orçamental própria da Zona Euro.
Segurança
Na área da segurança interna e externa, pretende-se que a Cimeira apoie e incentive a implementação das várias iniciativas atualmente em discussão na União Europeia que visam reforçar a segurança das fronteiras externas da União – nomeadamente através da operacionalização da Guarda Costeira e de Fronteiras Europeia – e a segurança no interior da União, nomeadamente contra a ameaça terrorista – através, entre outras medidas, da maior partilha de informação e cooperação operacional entre os serviços de segurança.
Ao mesmo tempo, o espaço Schengen tem que continuar a ser a área de livre circulação de pessoas que constitui, para os cidadãos europeus, a maior realização da União Europeia.
A prevenção da radicalização e recrutamento por grupos terroristas nas sociedades europeias será também abordada, com o objetivo de impulsionar o investimento ao nível europeu na regeneração dos centros urbanos, através de uma intervenção multidisciplinar que contemple as dimensões urbanística, de segurança pública, de revitalização económica, e de serviços e equipamentos educativos e sociais.
A dimensão da segurança externa, e os recentes desenvolvimentos nesta área serão também discutidos, devendo resultar uma mensagem de apoio à implementação das conclusões do Conselho Europeu de dezembro sobre a aplicação da Estratégia Global da UE no domínio da segurança e defesa, a cooperação UE-NATO e o Plano de Ação Europeu de Defesa.
Migrações
Sobre as migrações, haverá uma mensagem de reafirmação da solidariedade para com os países particularmente afetados pela crise migratória.
Para além disto, o debate concentrar-se-á na dimensão externa da cooperação com os vizinhos a sul da União Europeia, com o objetivo de evitar a migração desregulada através do apoio ao investimento e crescimento económico do continente africano.
Essa foi a abordagem preconizada na Cimeira de La Valeta, cujos resultados importa implementar, e complementada pela recente iniciativa dos Pactos Migratórios com países de origem e trânsito de migrantes. Haverá assim a oportunidade de dar um contributo para o debate sobre esta matéria agendado para a Cimeira informal de Malta do dia 3 de fevereiro.
A segunda cimeira de países do sul da Europa é organizada pelo Primeiro-Ministro António Costa, e conta com a presença dos Presidentes da República de Chipre (Nikos Anastasiades) e de França (François Hollande), dos Primeiros-Ministros de Malta (Joseph Muscat), da Grécia (Alexis Tsipras), da Itália (Paolo Gentiloni), e do Presidente do Governo de Espanha (Mariano Rajoy).
À margem da cimeira, o Primeiro-Ministro António Costa recebe, na noite de 27 de janeiro, o Primeiro-Ministro de Malta, Joseph Muscat, e, na manhã de 28 de janeiro, o Primeiro-Ministro de Itália, Paolo Gentiloni, para preparar as próximas cimeiras informais da União Europeia, em La Valetta, Malta – país que exerce, este semestre, a presidência da UE – e em Roma, em março.
