Portugal deve manter relação bilateral com os EUA para reforçar a sua centralidade no Atlântico

Portugal deve manter relação bilateral com os EUA para reforçar a sua centralidade no Atlântico

O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, afirmou que Portugal tem «de ter a preocupação de nunca romper com os Estados Unidos. Mesmo quando apetece, nunca o devemos fazer», numa conferência intitulada «Os Açores e a centralidade do Atlântico», organizada pelo Instituto Histórico da Ilha Terceira em Angra do Heroísmo.

Esta relação bilateral é decisiva para Portugal manter e reforçar a sua posição no Atlântico, disse o Ministro, que referiu as formas de reforçar a centralidade de Portugal no Atlântico.

A posição dos Açores é incontornável para sustentar a centralidade de Portugal no Atlântico e existem projetos concretos para a fortalecer.

Para isto, Portugal está a desenvolver dois projetos que potenciam a posição dos Açores no Atlântico: o centro internacional de investigação sobre o Atlântico que vai ser constituído e começar a funcionar em 2018, e a criação de um Centro de Segurança Atlântica, que não se limite ao subsistema militar e que englobe todo o Atlântico.

Posição geoestratégica

As tirar partido da posição geoestratégica dos Açores é a base das Lajes, localizada na ilha Terceira e utilizada pela Força Aérea norte-americana, continua a ser fundamental.

«Não me situo do lado dos que têm uma visão pessimista sobre o futuro desta posição dos Açores e da Terceira como um elemento logístico incontornável do sistema de forças dos Estados Unidos», disse Santos Silva.

«Sempre que estão em causa missões de longo alcance, não só as virtualidades, como a própria necessidade de utilização deste elemento, mesmo que esse elemento seja apenas de natureza logística - coisa que não é - revela-se absolutamente incontornável», acrescentou.

Por isto, «mesmo que nos digam, do outro lado do Atlântico, que já não somos necessários, que já não somos protagonistas, que já não somos parceiros preferenciais, (…) primeiro, não acreditemos, e segundo, não respondamos simetricamente, porque a centralidade do Atlântico depende muito do jogo entre as suas duas margens», disse.

O Ministro afirmou também que «em questões de posicionamento geoestratégico, a ambiguidade é um erro, e um erro que se paga muito caro», acrescentando que no que diz respeito à estrutura de segurança Portugal só pertence a duas organizações (NATO e União Europeia) e bilateralmente tem um aliado, que é os Estados Unidos.

Outros interesses são bem vindos do ponto de vista económico mas sem criar outro tipo de relação, disse.

Na sua relação com os EUA sobre a base das Lajes é preferível que Portugal adote uma atitude negocial do que uma atitude confrontacional.

A atitude negocial «já produziu resultados no redimensionamento do número de trabalhadores civis», salientou.