Governo pretende alterar Lei de Estrangeiros para tornar País mais atrativo

Governo pretende alterar Lei de Estrangeiros para tornar País mais atrativo

Conselho de Ministros, 18 maio 2017

Ministras da Presidência e da Modernização Administrativa, Maria Manuel Leitão Marques, e da Administração Interna, Constânça Urbano de Sousa, na conferência de imprensa do Conselho de Ministros

A Ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, afirmou que a proposta de lei que altera o regime de entrada, permanência, saída e afastamento de cidadãos estrangeiros do território nacional vai tornar o País mais atrativo e competitivo para o investimento, na conferência de imprensa após a reunião do Conselho de Ministros, em Lisboa.

«O diploma introduz várias alterações à Lei de Estrangeiros, na sequência da transposição de três diretivas europeias sobre as condições de entrada e permanência de nacionais de Estados terceiros para trabalho sazonal, transferências dentro de empresas, investigação, estudos, formação, voluntariado e programas de intercâmbio de estudantes», refere o comunicado do Conselho de Ministros.

As alterações têm o objetivo de agilizar o regime de concessão das autorizações de residência e os cidadãos estrangeiros (trabalhadores sazonais, quadros de empresa, estudantes e investigadores) «passam a poder permanecer de forma legal e temporária em Portugal, por um período superior a três meses, e passam a contar com um conjunto de direitos, dos quais se destacam a concessão de vistos de estada temporária e a introdução de procedimentos mais céleres para a atribuição destes estatutos».

Alterações ligadas ao Programa Capitalizar

A Ministra da Administração Interna referiu que «foram introduzidas três alterações ao regime da autorização de residência para investimento para abranger três tipos de investimento que vão afetar sobretudo pequenas e médias empresas».

A autorização de residência vai passar a ser concedida a estrangeiros que façam um dos seguintes tipos de investimento:

  • 350 mil euros para a criação de empresas portuguesas ou reforço do capital de empresas portuguesas desde que criem ou mantenham cinco postos de trabalho permanentes;
  • Investimento de 200 mil euros em empresas portuguesas que estejam em situação económica difícil e estejam num plano de recuperação ou revitalização;
  • 350 mil euros em fundos destinados à capitalização de empresas portuguesas.

Constança Urbano de Sousa afirmou que a autorização de residência ao último tipo de investimentos já existia «mas o seu montante era muito elevado e pouco competitivo». «Por isso, reduziu-se para 350 mil euros para tornar mais atrativo», acrescentou.

Atrair e potenciar empreendedorismo

A Ministra disse ainda que o Governo pretende introduzir «um novo regime de concessão de autorização de residência para emigrantes empreendedores e altamente qualificados, incluindo aqui também o setor cultural de forma a tornar muito mais atrativos alguns modelos ligados ao empreendedorismo, à tecnologia e à inovação, dando assim resposta às dificuldades que as empresas têm sentido».

O mecanismo vai «facilitar a tarefa das empresas na área tecnológica, que têm imensa dificuldade para contratar mão-de-obra e que assim terão maior facilidade para recrutar no estrangeiro», disse ainda Constança Urbano de Sousa.

A Ministra frisou que o alargamento da tipologia do investimento que poderá habilitar um estrangeiro a ter autorização de residência «tornará mais atrativas as empresas portuguesas e potenciará a criação de emprego para que, também por esta via, se possa canalizar investimento para a economia».

«Portugal é um País cada vez mais atrativo para a fixação de empresas. Haverá seguramente no espaço europeu várias empresas que pretendam deslocalizar a sua sede ou estabelecimento principal, e uma das dificuldades que têm é não poderem trazer os trabalhadores com querem continuar a trabalhar».

Autorizações para estudantes

A simplificação do procedimento da autorização de residência a estudantes – do ensino superior, secundário, profissional ou investigadores - «vai também permitir a mobilidade destes estudantes no espaço europeu».

«É uma alteração muito significativa», afirmou Constança Urbano de Sousa, acrescentando que «como estas diretivas não abrangiam a categoria de pessoas que não estuda nem ao nível do ensino secundário ou do ensino superior, foi criado um regime para facilitar a autorização a estrangeiros que pretendam frequentar o ensino profissional em Portugal».

 

Foto: Ministras da Presidência e da Modernização Administrativa, Maria Manuel Leitão Marques, e da Administração Interna, Constânça Urbano de Sousa, na conferência de imprensa do Conselho de Ministros, 18 maio 2017