Entrega do Prémio Carlos Magno a António Guterres é um orgulho para Portugal e os portugueses

Guterres é um bom exemplo do que a Europa deve fazer para uma sociedade global mais organizada, onde todos possam encontrar mais esperança

Primeiro-Ministro António Costa e Secretário-Geral da ONU, António Guterres, um jantar em homenagem a António Guterres na localidade de Aachen, Alemanha, 29 maio 2019 (Foto: Paulo Vaz Henriques)

Primeiro-Ministro António Costa e Secretário-Geral da ONU, António Guterres, um jantar em homenagem a António Guterres na localidade de Aachen, Alemanha, 29 maio 2019 (Foto: Paulo Vaz Henriques)

A atribuição do Prémio Carlos Magno a António Guterres «é um motivo de orgulho para todos nós termos finalmente um português a recebê-lo», afirmou o Primeiro-Ministro António Costa em Aachen, na Alemanha, a capital do primeiro Imperador do Sacro Império Romano-Germânico, no século VIII.

O Prémio Carlos Magno «é um prémio muito importante e sinaliza bem o contributo que António Guterres deu para a unidade europeia», acrescentou o Primeiro-Ministro.

António Costa afirmou que a atribuição do Prémio a António Guterres, atual secretário-geral das Nações Unidas, pela sua defesa do modelo europeu de sociedade, do pluralismo, tolerância e diálogo, «também é uma mensagem política muito importante».

Reforçar o multilateralismo

«Em primeiro lugar, de como a União Europeia é fundamental para reforçar o multilateralismo [por contraposição ao unilateralismo], de como é essencial para termos um mundo mais solidário, que respeite o princípio do Estado de direito, da boa convivência entre os povos, de reforço das Nações Unidas».

«E também - uma prioridade clara em todos os discursos –, a necessidade de focarmo-nos no combate às alterações climáticas, de reforçar o nosso modelo social para assegurar uma boa transição para a sociedade digital com coesão, e de não nos fecharmos sobre nós próprios, e, pelo contrário, nunca nos esquecermos que o estatuto internacional dos refugiados foi criado precisamente para proteger os europeus vítimas da II Guerra Mundial», disse.

O Primeiro-Ministro afirmou ainda que «a atribuição deste prémio a António Guterres enquanto secretário-geral das Nações Unidas é seguramente a mensagem de que esta deve ser uma prioridade da Europa e que António Guterres é um bom exemplo do que a Europa pode e deve fazer para reforçar as Nações Unidas e aquilo que é também uma sociedade global mais organizada, com maior respeito pelo direito, mais pacífica, com menos desigualdades, e onde todos possam encontrar mais esperança na construção de um futuro onde as alterações climáticas possam ser travadas».

Mundo precisa da Europa forte e unida

António Costa disse igualmente que «não é seguramente por acaso» que António Guterres é o primeiro português primeiro a receber o prémio atribuído pela cidade de Aachen, tal com foi o primeiro português a ser eleito secretário-geral da ONU.

Isso decorre do «grande compromisso que ele tem com os valores pelos quais, como ele aqui evocou, sempre se bateu desde a sua juventude, e a forma como ganhou e construiu um prestígio internacional muito relevante, o que, obviamente, não deixa de ser importante para Portugal».

Na sua intervenção, o secretário-geral da ONU, António Guterres, apelou à Europa que defenda com mais vigor o multilateralismo, garantindo que, pela sua parte, continuará a defender de forma apaixonada o pluralismo e a tolerância.

António Guterres insistiu na necessidade imperiosa de uma agenda multilateral «nestes tempos de grande ansiedade e desordem geopolítica», acrescentando que a União Europeia tem uma responsabilidade acrescida na sua defesa, até por ser «um posto avançado do multilateralismo e o primado do direito».

«Como secretário-geral das Nações Unidas, nunca senti tão claramente a necessidade de uma Europa forte e unida», disse, apontando os «três desafios sem precedentes» que agravam os riscos de confrontação e exigem respostas vigoras: as alterações climáticas – «uma questão de vida ou morte» -, a demografia e migrações, e a transformação digital.