Transformar a paisagem é o principal desafio da reforma da floresta
Ministro Adjunto afirmou que uma mobilização nacional é «essencial para o desenvolvimento do território e a reforma da floresta»

Ministro Adjunto, Pedro Siza Vieira, nas Jornadas da Floresta de Arouca, 23 março 2018
Ministro Adjunto, Pedro Siza Vieira, nas Jornadas da Floresta de Arouca, 23 março 2018
O Ministro Adjunto, Pedro Siza Vieira, afirmou que «o grande desafio [da reforma da floresta] é a transformação da paisagem», nas Jornadas da Floresta de Arouca.
«Não basta melhorar o sistema de prevenção e combate aos fogos, é preciso também reformular a paisagem florestal», disse o Ministro, referindo-se à conclusão fundamental dos dois relatórios da comissão técnica independente aos incêndios de 2017.
«Todas as recomendações do primeiro relatório foram assimiladas pelo Governo, que as está a pôr em prática», acrescentou Pedro Siza Vieira, sublinhando que «temos, neste momento, circunstâncias políticas ótimas e uma mobilização nacional essencial para o desenvolvimento do território e a reforma da floresta».
Limpeza dos terrenos é essencial
«O desafio é saber como transformar o nosso território para que este seja, não só mais resiliente ao risco de fogo florestal, mas que também proporcione uma mais diversificada utilidade às populações», afirmou o Ministro.
Lembrando que há que rever os enquadramentos legislativo e fiscal que viabilizarão essa transformação, «e que eventualmente vão ter que se complementar», Pedro Siza Vieira sublinhou que medidas exigentes relativas à limpeza de terrenos são necessárias para garantir maior disponibilidade de recursos nas operações de socorro.
«Temos de ser muito incisivos na prevenção estrutural, porque quem fica a limpar terrenos em volta das casas durante um incêndio está menos disponível para atuar noutras funções», disse ainda.
O Primeiro-Ministro, António Costa, e mais de 20 membros do Governo participam, dia 24 de março, numa grande ação de limpeza florestal que abrangerá distritos de norte a sul do País.
Acrescentar valor à floresta
«Transformar a floresta é tão necessário quanto se considere que este recurso natural tem hoje pouco valor económico», estando este muito concentrado no eucalipto, papel e cortiça, referiu o Ministro.
Pedro Siza Vieira realçou que é preciso integrar esta matéria-prima na indústria a jusante, e que «a dificuldade da monocultura é não permitir uma descontinuidade de espécies que favoreça a proteção da paisagem».
«A mudança terá que ser gradual e implica ações como a aposta em espécies autóctones, o combate à desertificação e envelhecimento da população rural e a articulação entre diferentes ordens de gestão ativa e conhecimento», acrescentou o Ministro.
Reforma estrutural a longo prazo
«Temos que ter noção de que, na prática, a floresta se transforma ao longo de muito tempo; não podemos pensar que, num ano ou em três, podemos ter uma floresta muito diferente», afirmou Pedro Siza Vieira, sublinhando a necessidade de investir na floresta e encontrar fontes de financiamento que têm que ser públicas e privadas.
O Ministro lembrou os esforços do Governo junto das instâncias europeias nesta matéria, onde a tendência dos Estados-membros que sempre tiveram floresta natural é para se oporem à aplicação de fundos da Política Agrícola Comum (PAC) em medidas que não sejam exclusivamente destinadas à agricultura.
No último Conselho de Ministros da Agricultura da União Europeia, de 19 de março, Luís Capoulas Santos referiu a necessidade de discriminar positivamente a rubrica do desenvolvimento rural, onde está incluída a floresta, na reforma da PAC.
