Ministra da Cultura lamenta a morte da escritora, cronista e ativista, Isabel Nóbrega
A Ministra da Cultura, Graça Fonseca, manifesta o seu mais profundo pesar pela morte de Isabel da Nóbrega (1925-2021), reconhecida escritora, cronista e ativista.
O seu percurso de vida e a sua obra inscrevem-se num movimento de afirmação disruptiva do feminino e de renovação nas letras portuguesas, tendo-se evidenciado nos anos 50 e 60 como uma voz singular com um impacto especialmente significativo no meio jornalístico.
Foi uma das fundadoras do marcante jornal A Capital, tendo também colaborado, entre outros, com o Diário de Lisboa, Primeiro de Janeiro, Jornal do Fundão e Diário de Notícias, sendo-lhe reconhecido o espírito crítico, a inquietação, a coragem, a inteligência e um estilo literário que deambulava entre a contundência e a ternura na apologia dos direitos cívicos e em particular dos das mulheres (o aborto, a maternidade, o amor).
Além da produção cronística (escreveu mais de 3000 textos neste género), deixou também obra como tradutora e autora de contos, romance, teatro e literatura para a infância. Foi-lhe atribuído o prémio Camilo Castelo Branco em 1965 com a obra Viver com os Outros. Em 1973 publicaria outra obra marcante para a renovação da literatura durante o regime salazarista: o livro de contos Solo para Gravador (1973). Já em 1976, a edição de Quadratim reuniu os seus melhores textos, tendo também, no mesmo ano, sido uma das organizadoras do 1.º Congresso de Escritores da Associação Portuguesa de Escritores.
Na televisão criou e apresentou vários programas, entre eles «O Prazer de Ler» e «Largo do Pelourinho», tendo também dinamizado vários formatos na Antena 1. Assinaria ainda inúmeras crónicas na RDP-Antena 2 a partir de 1995 no programa «Allegro Vivace», reflexo da sua atitude comprometida com o tempo e de uma cultura erudita e humanismo vincados.
Privou de perto com nomes incontornáveis da cultura portuguesa, como Sophia de Mello Breyner, Ruben A. ou Natália Correia, tendo sido presença assídua em tertúlias, encontros, viagens e outros lugares de questionamento, desassossego e implicação com o mundo.
À família e amigos enviam-se sentidas condolências.
Graça Fonseca
3 de setembro
