Artigo da Ministra da Cultura: «Apoiar as artes é investir na democracia»

«Uma visão estratégica para a cultura constitui um elemento essencial para a democracia. Agora ainda mais que antes. É decisivo para o futuro do país a concretização de uma política pública de cultura, estruturada e duradoura.

A instabilidade no apoio às artes em Portugal tem-se prolongado no tempo, sendo frequentemente acompanhadas de diferentes visões entre os seus profissionais e a área governativa. No entanto, as duas partes convergem, há muito, que o diálogo será a base para um entendimento que ajude a estabilizar a política de investimento nas artes no nosso país. O diálogo construtivo tem um objetivo primordial: resolver as questões estruturais, concentrando-nos no que é essencial.

Assim, definimos como prioridade da nossa ação política organizar, tornar estruturado e sustentável o investimento do Estado para o desenvolvimento das artes. Na ausência ou quase inexistência de estudos (ou de um simples mapeamento) sobre o universo dos artistas, encetei um conjunto de contactos, tendo tido mais de meia centena de reuniões com representantes e agentes ativos na criação e programação culturais, cujos resultados se constituíram como um diagnóstico da situação. Essas dezenas de reuniões garantiram a todos os envolvidos um conhecimento basilar sobre as contínuas dificuldades que assolam a vida de profissionais que, com persistência e coragem, lutam pelo reconhecimento pleno da importância do seu labor criativo na construção de uma democracia plena. Verificámos também que alguns dos problemas que dificultam a inscrição das artes no quotidiano do país derivam da ausência de decisões que reduzam a imprevisibilidade do apoio do Estado aos artistas, apoio que nunca deverá ser entendido como um subsídio que cria dependências, mas sim como um investimento na força transformadora da cultura. Os artistas e a arte são essenciais ao nosso desenvolvimento como povo e o Estado deve apoiar o seu trabalho e investir nele de forma substancial.»

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