60 mil euros para nove projetos contra a mutilação genital feminina
Têm sido criados espaços de diálogo, de proximidade e articulação com os grupos sociais em que é praticada
A Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro, participou na apresentação de novos projetos de prevenção e combate à Mutilação Genital Feminina (MGF) em Lisboa, onde comunicou um reforço de reforço de 10 mil euros para a linha de apoio criada em 2018 com a dotação de 50 mil euros. Estes 60 mil euros servirão para financiar dez projetos de prevenção e combate à MGF, mais dois do que previsto inicialmente.
Rosa Monteiro sublinhou que tem havido «um caminho de desconstrução de mitos, de mais conhecimento sobre o fenómeno, de estratégias aprimoradas» e que têm sido «criados espaços de diálogo, de proximidade e articulação» com os grupos sociais em que ela é praticada.
A Secretária de Estado referiu que o combate à MGF tem passado por uma aposta em várias frentes, desde a capacitação de profissionais e produção de materiais pedagógicos, a criação de uma aplicação informática dirigida a jovens, a consciencialização nas comunidades afetadas e a criação de um grupo de trabalho de mulheres mediadoras culturais em saúde.
Rosa Monteiro disse ainda que vê com «grande expectativa e entusiasmo» o começo da segunda edição da Pós-Graduação em MGF, na Escola Nacional de Saúde Pública, curso que irá permitir «qualificar profissionais a trabalhar nestes e noutros territórios» e «reforçar o potencial de investigação e produção de conhecimento». Este aumento de apoios concedidos a projetos de prevenção e combate à MGF, tem permitido realizar trabalho na cooperação interdisciplinar e na identificação de mulheres e raparigas para o ativismo contra a excisão, e servido para combater a excisão.
Após a sessão, teve lugar uma reunião do projeto Práticas Saudáveis entre a CIG, a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, o Agrupamento de Centros de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo e as organizações apoiadas.
Este é um projeto essencial para o combate à MGF, dado que tem como principal objetivo a conceção de planos de ação locais nos territórios de maior risco de MGF na Área Metropolitana de Lisboa, tendo como pontos focais profissionais de saúde pública de Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES).
O projeto Práticas Saudáveis «veio reforçar a intervenção nas áreas de maior prevalência e mudou o nosso panorama de combate à MGF», salientou Rosa Monteiro. Teve o seu início em 2018 com intervenção nos ACES de Almada-Seixal, Amadora, Arco Ribeirinho, Loures-Odivelas e Sintra. Em fevereiro de 2020, juntaram-se os ACES de Cascais, Estuário do Tejo, Lisboa Central, Lisboa Ocidental e Oeiras, e Lisboa Norte.
