Existem «espaços de retaguarda» para apoiar os lares

Estes espaços visam acolher pessoas com sintomas ligeiros de Covid-19, mas sem condições para viver em isolamento

Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, e Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, na visita ao Laboratório de Virologia Vegetal, Évora, 14 abril 2020. (Foto: Nuno  Veiga/LUSA)

Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, e Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, na visita ao Laboratório de Virologia Vegetal, Évora, 14 abril 2020. (Foto: Nuno Veiga/LUSA)

A Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, afirmou que existem «espaços de retaguarda» para apoiar os lares, no caso de ser necessário retirar idosos com testes negativos ou positivos sem sintomas à infeção com o novo coronavírus.

Durante a visita à Universidade de Évora, juntamente com o Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, Ana Mendes Godinho referiu que têm estado a ser criados  «mecanismos especiais de apoio para quando é preciso retirar as pessoas dos lares, a par de «um programa de reforço dos recursos humanos», através do Instituto do Emprego e Formação Profissional.

«Sabemos que, muitas vezes, são pessoas que têm dificuldade de mobilidade e, portanto, temos também que tentar perturbar o menos possível a vida destas pessoas», disse, acrescentando que «existe um protocolo completamente identificado e definido sobre como tratar cada uma das situações». 

Camas de retaguarda

«Quando não tenham sintomas, deve-se encontrar uma solução alternativa que, depois, deve ser avaliada em função da capacidade que o espaço» tem de isolamento e se tem ou não capacidade para manter «dois espaços separados para pessoas que tenham teste positivo ou teste negativo», referiu.

A Ministra relembrou que este trabalho foi feito em conjunto com a Proteção Civil, as Forças Armadas, as câmaras municipais e a Segurança Social para que «em cada um dos territórios», exista «esta capacidade de ter estas camas» de retaguarda, quando  «os lares não conseguem responder à situação».

No caso do Alentejo - que ainda não tem nenhum destes espaços - Ana Mendes Godinho referiu que os mesmos estão a ser preparados e mobilizados pelas Forças Armadas, ao nível de «recursos humanos e equipamentos de proteção individuais para gerir essas situações».

A Ministra disse também que a situação dos lares «tem de ser analisada caso a caso, para perturbar o mínimo possível a vida das pessoas».

Apoio alimentar vai abranger 90 mil pessoas em maio

Numa declaração à comunicação social após a visita, Ana Mendes Godinho afirmou também que em maio, o Governo vai aumentar o programa de apoio alimentar, passando de 60 mil para 90 mil pessoas abrangidas.

«Estamos a reforçar a rede a nível nacional, quer através do reforço das cantinas sociais, quer através do reforço do programa do FEAC (Fundo de Auxílio Europeu às Pessoas Mais Carenciadas), que é o programa de apoio alimentar», disse.

Ana Mendes Godinho disse também que está a ser criado «um sistema de deteção automática de situações que precisem deste reforço alimentar, para não termos de estar à espera que as pessoas venham pedir o apoio».

Este reforço de respostas está a ser feito no terreno por todas as pessoas «que trabalham na Segurança Social e que estão completamente ao serviço das populações», a quem a Ministra agradeceu. 

Ana Mendes Godinho referindo ainda que os trabalhadores das IPSS, «têm sido incansáveis num momento completamente atípico» e para o qual todos tiveram de se «adaptar de uma forma diferente» para «responder muito mais rapidamente» e de forma «cada vez mais personalizada» às situações.

Laboratório da Universidade de Évora vai fazer 4 mil testes

Durante a visita dos ministros ao pólo da Mitra, foi assinado um protocolo entre o MTSSS e a Universidade de Évora para a realização de 4 mil testes em lares de idosos nesta região. 

Os Ministros conheceram o Laboratório de Virologia Vegetal do Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento, onde começou a funcionar uma unidade que realiza testes a infeção com o novo coronavírus. Estima-se a realização de até 300 testes por dia.

O objetivo é apoiar o Hospital do Espírito Santo de Évora e as 128 instituições de apoio a idosos do distrito, abrangendo, numa primeira fase, os funcionários e depois os utentes. 

Estes testes estão a ser feitos em conjunto com várias Unidades de Investigação da academia, nomeadamente, a Escola de Enfermagem São João de Deus, que efetua a recolha das amostras.