Maior controlo nas fronteiras internas «não foi eficaz para deter o vírus»
Presidência portuguesa da União Europeia será focada na gestão das fronteiras externas e no desenvolvimento do novo Pacto de Asilo e Migração

Ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, participa por videoconferência no primeiro Fórum Schengen, 30 novembro 2020
Ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, participa por videoconferência no primeiro Fórum Schengen, 30 novembro 2020
O Ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, afirmou que o maior controlo nas fronteiras internas do espaço Schengen, durante os primeiros meses da pandemia, não foi eficaz para conter o novo coronavírus.
«Ao nível das fronteiras internas, Portugal considera que o aumento dos controlos nas fronteiras não foi eficaz para deter o vírus, criando ainda problemas ao mercado interno», disse Eduardo Cabrita, durante o 1.º Fórum Schengen, onde estiveram reunidos, por videoconferência, os ministros da Administração Interna da União Europeia (UE), os deputados ao Parlamento Europeu e os membros da Comissão Europeia.
O Ministro disse também que a resposta dos estados-membros à atual crise sanitária deveria ser coordenada e rejeitou medidas unilaterais contra a circulação no Espaço Schengen, devendo ser antes adotados critérios comuns em coordenação com os ministérios da Saúde e com o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças.
Já depois da reunião, numa declaração à agência de notícias Lusa, Eduardo Cabrita referiu que este é um dos fatores que ameaça pôr em risco o Espaço Schengen, que classificou como «uma das maiores realizações da UE», acompanhado de outras questões como a prevenção do terrorismo e a gestão dos fluxos migratórios irregulares no âmbito das fronteiras externas.
Presidência portuguesa da União Europeia
A propósito da presidência portuguesa da União Europeia, o Ministro disse que espera que a Guarda Europeia de Fronteiras comece «a trabalhar com mais competências» e que vai ser dada a devida «relevância a esta nova conquista das políticas europeias».
Sobre a gestão das fronteiras externas Eduardo Cabrita afirmou que devem ser definidos e reforçados «critérios comuns» para «a entrada de cidadãos de países terceiros, através das fronteiras terrestres, aéreas e marítimas»
O Ministro disse ainda que o País está empenhado no desenvolvimento do novo Pacto de Asilo e Migração, acrescentando, no entanto, que a migração não pode ser vista apenas como um problema de controlo de fronteiras:
«Temos de ter uma abordagem mais ampla, incluindo a dimensão externa de uma necessária cooperação com os países vizinhos da Europa na promoção do seu desenvolvimento e na prevenção do tráfico de seres humanos, mas também na prevenção do trânsito entre estes países vizinhos com destino à Europa», explicou.
Durante a reunião, Eduardo Cabrita sublinhou também a importância de discussões regulares sobre o funcionamento e o reforço do Espaço Schengen, que classificou como «a joia da coroa da integração europeia», apontando também o fortalecimento dos valores comuns nesse contexto como um dos objetivos da presidência portuguesa.
