Portugal alinha compromissos europeus com investimento em prioridades da Defesa Nacional
Ministro da Defesa Nacional destacou objetivos integrados de Portugal na Cooperação Estruturada Permanente

Ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, durante o debate na Assembleia da República sobre a Cooperação Estruturada Permanente, Lisboa, 31 março 2021 (Foto: João Bica)
Ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, durante o debate na Assembleia da República sobre a Cooperação Estruturada Permanente, Lisboa, 31 março 2021 (Foto: João Bica)
O Ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, destacou que Portugal procura «assegurar o alinhamento dos compromissos assumidos no âmbito da Cooperação Estruturada Permanente da União Europeia [PESCO] com o planeamento de Defesa no âmbito da NATO e com investimentos previstos na Lei de Programação Militar».
Na Assembleia da República, na intervenção de abertura do Governo no debate sobre a participação de Portugal na PESCO, o Ministro reiterou que «Portugal orienta os investimentos para projetos cooperativos e organizados de acordo com áreas identificadas como prioritárias».
João Gomes Cravinho salientou que desde 2014 houve um reforço de 26% no investimento em Defesa em Portugal e que em 2020 o investimento nesta área atingiu os 1,59% do PIB. «Em 2024 perspetiva-se que atinga os 1,66% em despesas de Defesa, investimento, e investigação e desenvolvimento.
O Ministro afirmou que o trabalho no âmbito da PESCO «é um dos mecanismos que permitem assegurar a eficácia deste investimento, quer seja em capacidades para as Forças Armadas, quer seja em retorno para a indústria de Defesa».
Neste âmbito, foi criado em 2019 o grupo de acompanhamento de Portugal na PESCO com participação interministerial e ligação à indústria nacional e ao sistema científico e tecnológico nacional. Esta participação «permite colocar dentro do processo de reflexão e decisão os diferentes contributos do Estado, e também da indústria e da ciência»
«Vamos agora consolidar este instrumento de coordenação nacional com uma resolução do Conselho de Ministros, criando um comité para a participação portuguesa na economia da Defesa Europeia», acrescentou.
Investimentos conjuntos em novos meios
O Ministro da Defesa Nacional abordou também a importância dos investimentos conjuntos no desenvolvimento de novos meios para «dar uma resposta eficaz e financeiramente sustentável a muitos dos desafios» colocados por um contexto global marcado por uma forte competição geopolítica e novas ameaças.
Os compromissos da PESCO «representam uma aposta em despesa mais eficiente no âmbito da Defesa, refletindo as preocupações dos cidadãos e estão orientados para o princípio basilar de que cada Estado dispõe de apenas um conjunto de forças e capacidades que devem ser usados de forma racional».
João Gomes Cravinho sublinhou que a participação de Portugal nos projetos da PESCO derivam da avaliação de três dimensões: as prioridades da política de Defesa Nacional, o interesse operacional dos projetos (com valorização e preenchimento de lacunas de capacidades) e o interesse dos projetos do ponto de vista da indústria de Defesa Nacional».
Neste momento, Portugal lidera dois projetos, participa em mais oito, em áreas que vão desde a ciberdefesa, vigilância e segurança marítima ao treino ou mobilidade militar, e é ainda o observador em outros 17 projetos.
O Ministro frisou ainda o acordo político que foi alcançado para a participação de estados parceiros na PESCO. «Faz sentido, em condições de reciprocidade, associar ao desenvolvimento da Defesa Europeia os nossos aliados norte-americanos e salvaguardar a presença de entidades de fora da União Europeia no sistema económico europeu, como é o caso da participação muito importante para Portugal da Embraer no âmbito da OGMA», disse.
