Primeiro-Ministro acompanhou vacinação de profissionais de saúde do setor privado
O Primeiro-Ministro António Costa e a Ministra da Saúde, Marta Temido, visitaram o Hospital CUF Tejo, em Lisboa, onde acompanharam a vacinação de profissionais de saúde prioritários do setor privado. A vacinação destes profissionais e também dos dos hospitais do setor social, que se iniciou no dia 14 de janeiro, encontra-se em curso segundo as normas em vigor e à semelhança do que ocorreu no Serviço Nacional de Saúde.
O Primeiro-Ministro deixou ao setor de saúde privado «uma palavra de agradecimento, porque uma coisa é a agitação do debate político, outra é a realidade»: «desde março que temos estado em contracto, trabalhado juntos, e o Serviço Nacional de Saúde e os hospitais do setor privado e do setor social, e das Forças Armadas, têm estado mobilizados sempre que necessário para responder a esta situação de pandemia».
«Estamos a viver o momento mais crítico e que é, portanto, também, o momento em que a colaboração mais necessária se revelou e mais efetiva se demonstrou. Quero agradecer esse empenho», disse.
António Costa referiu que «hoje temos 53 acordos, em todo o País, com instituições do setor privado e social, 13 desses acordos especificamente para tratamento de doentes Covid, e, num momento em que cada cama é essencial, a existência de mais 300 camas disponibilizadas pelo setor privado, é muito importante para a resposta».
Simultaneamente, «haver mais 700 camas que vêm reforçar» o sistema de saúde, «através de um conjunto de convenções é muito importante para atender os doentes não covid que necessitam de tratamento».
Vacinação
O Primeiro-Ministro disse que «é fundamental que, no plano de vacinação, se tenha dado prioridade à vacinação dos profissionais de saúde, naturalmente os do Serviço Nacional de Saúde, mas também os do setor privado que têm acordo de cooperação com o SNS, e, depois, a todos os outros, como toda a população».
«Há uma realidade que todos temos de compreender: estamos todos dependentes da produção por parte da indústria. E o que foi feito ao longo deste ano pelos cientistas e pela indústria farmacêutica, é preciso dizê-lo, foi absolutamente extraordinário. Nunca em tão pouco tempo tinha sido identificada, desenvolvida, produzida e comercializada uma vacina. Foi um tempo recorde».
«A 2 de março de 2020, quando tivemos o primeiro caso, ninguém poderia imaginar que, menos de um ano depois, já haveria vacina e pessoas que já estão totalmente vacinadas», referiu, acrescentando que «foi um trabalho extraordinário.
Porém, «trata-se de uma pandemia à escala global e, para que ela seja erradicada, é preciso erradicá-la no nosso País, na União Europeia, em todo o continente europeu, em todo o mundo, porque, senão, não a erradicamos em sítio nenhum. Vai ser um esfoço enorme».
António Costa disse que «foi muito importante a União Europeia ter conseguido fazer uma compra conjunta de vacinas; estamos a ver a dificuldade de execução dos contratos, imaginem que, em vez de ser um contrato feito pela Comissão Europeia em competição com outros grandes compradores como os Estados Unidos, o Reino Unido, o Japão, a China, estarem os 27 Estados membros a lutar uns contra os outros, como em março, por máscaras e álcool-gel, agora pela distribuição de vacinas».
«É fundamental que todos nos empenhamos numa mensagem muito clara: que a indústria consiga aumentar a capacidade de produção – é bom saber que a Pfizer já tem acordo com outras farmacêuticas para multiplicar a capacidade de produção, é fundamental que a Astrazeneca aumente a sua capacidade de produção, que a Moderna aumenta a sua capacidade de produção, que a União Europeia já tenha reforçado as doses que adquiriu, para podermos acelerar o processo de vacinação; porque só retomaremos a normalidade da nossa vida quando pelo menos 70% estiverem vacinados e a imunidade de grupo tiver sido adquirida», disse.
«A boa notícia é que esta semana vão ser distribuídas mais 6100 doses da vacina da Moderna para a vacinação de profissionais de saúde do setor privado, e assim continuaremos a fazer, consoante as doses que vamos recebendo», afirmou.
O Primeiro-Ministro disse que «é bom já termos atingido o ponto de estabilização do número de doses que estamos a receber, porque assim podemos planear devidamente a distribuição dessas doses. É imprescindível que essas doses sejam reservadas exclusivamente a quem é definido como prioritário e que cada um aguarde serenamente pela sua vez para ser vacinado».
Aguardar contacto para vacinação
«Permitam-me fazer este apelo novamente, mas é importante: iniciámos esta semana a vacinação das pessoas com mais de 80 anos e a daquele que têm mais de 50 que têm outras doenças associadas».
Estas pessoas «hão-de receber uma mensagem dizendo o local, o dia e a hora da vacinação. Não têm, nem que tomar a iniciativa de telefonar, nem correr para o centro de saúde, nem para as urgências do hospital; têm simplesmente de aguardar que sejam chamados de acordo com a sua vez».
«Quem não tem telemóvel, há-de receber um telefonema ou uma carta, mas mantenhamo-nos serenos que a nossa vez há-de chegar», disse.
António Costa afirmou que «é preciso compreender que todo este plano está desenhado para atingirmos o nível dos 70% de vacinação no final de verão. Temos ainda para passar este inverno, a primavera, o verão, e todos os dias estão pessoas a ser vacinadas».
«Já temos quase 400 mil pessoas que já tiveram, pelo menos, a primeira toma da vacina, estamos perto dos 100 mil que já tiveram a segunda dose, e passo a passo vamos assegurar a vacinação de todas as pessoas, assim vamos continuando a receber as vacinas», disse.
«Todos queríamos receber mais e mais depressa. Também tenho a certeza de que a indústria gostaria de produzir mais e mais depressa, mas tudo isto tem o seu tempo e temos de saber gerir a ansiedade, que é legítima, para conseguirmos continuar a enfrentar esta pandemia, como a temos enfrentado», referiu.
O Primeiro-Ministro agradeceu «o trabalho de todos estes profissionais, sejam os do SNS, sejam os dos hospitais das Misericórdias, sejam os dos hospitais do setor privado, fazem um trabalho excecional e que nós sabemos que podemos contar com eles se estivermos doentes».
«Mas é fundamental que eles também saibam que podem contar connosco», sublinhou, acrescentando que «podemos dar-lhes uma enorme ajuda: que é evitar estarmos doentes, prevenindo o contágio, e isso implica usar a máscara sempre que estamos em locais públicos, mantermos a distância física, manter sistematicamente a higiene das mãos. A prática destas normas de prevenção é a melhor ajuda que podemos dar», concluiu.
Trabalhar ombro a ombro
A Ministra da Saúde, Marte Temido referiu a colaboração entre os vários setores da saúde, quer no tratamento de doentes de Covd-19 quer de doentes não covid, pois «sem a capacidade de falarmos, certamente não teríamos conseguido responder a muitos doentes e a muitas necessidades».
A Ministra acrescentou que «há muitas lições que vão sair desta pandemia e a necessidade de trabalharmos ombro a ombro é uma delas».
Marta Temido afirmou que «hoje há quase 379 mil inoculações de vacinas», incluindo «cerca de 100 mil profissionais do Serviço Nacional de Saúde vacinados», acrescentando que vai ser acelerada a vacinação nos vários parceiros do Sistema nacional de saúde.
