Rastreios aos diferentes cancros vão ser acelerados
Desafio do período outono/inverno passa também por criar um circuito para doentes respiratórios que podem ou não estar infetados com Covid-19

Secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales (Foto: Miguel A. Lopes/Lusa)
Secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales (Foto: Miguel A. Lopes/Lusa)
O Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, afirmou que a área governativa da Saúde está a «acelerar o processo» dos rastreios aos diferentes cancros em todas as regiões do País, uma situação que foi prejudicada durante a pandemia.
«Para nós é uma situação muito preocupante. Se não parámos e conseguimos manter fora deste processo» - de resposta à Covid-19 - o Instituto Português de Oncologia, «a nossa preocupação na área da oncologia vai exatamente para os rastreios do cancro da mama, do cancro do colo do útero e do cancro colorretal», disse o Secretário de Estado à margem da conferência «Valorizar e Reforçar os Serviços de Saúde na Região de Leiria», organizada pelo Grupo Económico e Social da Região de Leiria, na Batalha.
António Lacerda Sales referiu também que no período outono/inverno vai «haver dois grandes desafios»: criar um circuito para os doentes respiratórios - de modo a «dividir bem» os utentes que podem ser Covid ou não Covid - e «retomar a atividade existencial programada».
«Não estamos reféns da covid-19», disse António Lacerda Sales, acrescentando que existe uma enorme preocupação com a «pressão sobre os cuidados de saúde» em diagnósticos não covid-19, tendo sido realizado um «reforço nos recursos humanos».
O Secretário de Estado afirmou também que tem sido mais fácil «retomar a atividade nos hospitais» do que nos cuidados de saúde primários:
«Uma das razões é a impossibilidade de criar circuitos de
segurança em algumas extensões de saúde. Primeiro, temos de criar as condições.
Mas tem havido uma recuperação da atividade existencial dos Agrupamentos de
Centros de Saúde e dos hospitais», disse ainda.
Reforçar os recursos humanos foi «uma das maiores
vitórias»
Relativamente à resposta dos cuidados intensivos do Serviço Nacional de Saúde, António Lacerda Sales relembrou que no início da pandemia havia apenas 1.142 ventiladores e que a «preocupação foi duplicar essa capacidade. Como os ventiladores não funcionam sozinhos, reforçámos a estrutura de recursos humanos e essa foi uma das maiores vitórias», disse ainda.
O Secretário de Estado afirmou também que, nos últimos seis meses, só 18% a 19% das camas usadas nos cuidados intensivos são doentes covid, enquanto e os utentes não covid não ultrapassaram os 63%.
António Lacerda Sales destacou ainda a «elasticidade» dos
internamentos, que permite, «a qualquer momento», criar um circuito covid ou
não covid, de acordo com as necessidades.
Portugal vai «duplicar a capacidade de testagem»
Relativamente à capacidade de testagem à Covid-19, o Secretário de Estado disse que estão a ser feitos, atualmente, entre 12 e 13 mil testes diários, mas que o objetivo é «chegar aos 24 mil testes», duplicando assim a capacidade de testagem.
António Lacerda Sales relembrou que Portugal já testou «mais de dois milhões de pessoas e 240 mil por milhão de habitantes»:
«Somos o sexto país da Europa a testar. Estamos a ampliar a
nossa rede de expansão laboratorial, que terá reflexo ao nível das diferentes
regiões. Tem o foco no Serviço Nacional de Saúde mas, também, o apoio da
academia e do setor privado. Garantidamente conseguiremos fazer entre 43 a 45
mil testes diários ao nível do País, juntando estas três forças», disse ainda.
