Intervenção do Ministro do Ambiente e da Ação Climática em Soure
«A seca em Portugal não é conjuntural – é estrutural. O vale do Tejo traça uma linha a meio do nosso país que determina a distribuição de água. A Sul, escasseia e é intermitente. A Norte, a disponibilidade é maior mas também diminui. Este ano temos bem consciência da rarefação deste recurso essencial – durante todo o inverno, muito pouco choveu no Continente.
Menos água num ano ou em vários anos não significa menos água em certos dias ou certas horas do ano. O nosso regime climático já era marcado por uma distribuição irregular da chuva. A pluviosidade podia ser escassa durante muito tempo mas intensa em muito pouco tempo. As alterações climáticas intensificaram ainda mais esta irregularidade.
Na semana que antecedeu o Natal de 2019 três tempestades engrossaram os rios – choveu num mês o que é habitual num ano. As barragens, cheias, não foram suficientes para encaixar a água que a elas afluía. A 22 de dezembro, o caudal do Mondego, em Coimbra, ultrapassou os 2200 metros cúbicos por segundo – um dos maiores caudais de sempre. Os diques do Baixo Mondego, concebidos para escoar um máximo de 2000 metros cúbicos por segundo, cederam. O Vale Central do Baixo Mondego foi inundado e com ele vias de comunicação e habitações. O comportamento do Mondego justificava o apodo de Bazófias – caudaloso no inverno, raquítico no verão.»
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