Estados-membros da União Europeia concordaram em antecipar reforço de meios do mecanismo europeu de proteção civil
Ministros responsáveis pela Proteção Civil estiveram reunidos em Bruxelas para discutir propostas para combater incêndios

Ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, visita Centro de Resposta a Situação de Emergência da UE, Bruxelas, 5 setembro 2022
Ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, visita Centro de Resposta a Situação de Emergência da UE, Bruxelas, 5 setembro 2022
Os Estados-membros da União Europeia (UE) concordaram em antecipar o reforço de meios do mecanismo europeu de proteção civil de combate a incêndios florestais proposto pela Comissão Europeia.
Numa declaração à comunicação social, após ter participado na reunião, o Ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, disse: «Foi, aliás, comum o apoio à ideia transmitida por Portugal de que 2029 e 2030, como anos limite para o reforço desses meios, é muito tarde em função das novas circunstâncias e dos incêndios extremos aos quais teremos de fazer face. Ontem mesmo já era tarde para o reforço desses meios aéreos».
José Luís Carneiro referiu que todos concordaram com «a necessidade de reforçar os meios disponíveis e antecipar a compra ou aluguer desses meios» para a reserva temporária de transição, «tendo em vista preparar antecipadamente 2023», até porque «as previsões para 2023 são ainda mais exigentes do que aquelas que tínhamos para 2022».
Proposta passa pela criação de quatro centros de meios pré-posicionados
O Ministro referiu que a maioria dos países apoiou a ideia de «realizar um pré-posicionamento de meios em função dos riscos considerados» à imagem da experiência realizada na Grécia e que «teve resultados eficazes do ponto de vista da celeridade da resposta».
José Luís Carneiro disse também que os países participantes manifestaram-se favoráveis à proposta da Comissão de criar quatro desses centros, tendo Portugal manifestado disponibilidade para acolher uma estrutura desta natureza, em diálogo com Espanha.
O Ministro adiantou ainda que está previsto, até ao final de setembro, o fecho da proposta da Comissão, para que seja desenvolvido trabalho técnico no mês de outubro e, até final do ano, um plano «para entrar no terreno mal se inicie a primavera, pois os incêndios começam mais cedo e prolongam-se por mais tempo».
O Ministro referiu também que a Comissão Europeia e presidência rotativa checa do Conselho da UE aceitaram uma proposta portuguesa para que se realize, no próximo mês de novembro, um seminário para que se tirem as lições e «extrair conhecimento dos grandes incêndios que lavraram em toda a Europa e em Portugal» em 2022, com vista ao plano ao plano de ação para 2023.
«Incêndios passaram a ser assumidos como um problema para todos a generalidade dos países europeus»
Fazendo um balanço da reunião informal, José Luís Carneiro disse que, «tendo em conta o que se passou este ano, os incêndios florestais passaram a ser assumidos como um problema para a generalidade dos países europeus», havendo agora «uma consciência mais aguda do conjunto dos países europeus para aquilo que é um desafio comum e que exige a mobilização de recursos comuns».
«Deixou de ser apenas um problema do sul da Europa e dos países mediterrânicos, e passou a ser também um problema do centro e do norte da Europa», disse, notando que este ano «houve mais 60% de incêndios e mais 69% de área ardida em toda a UE em comparação com o ano anterior e 40% desses mais 60% ocorreram nos países do centro da Europa».
