Orçamento do Estado prevê receita superior a 2300 milhões de euros para Administração Interna
Verba servirá para investimentos em capital humano e aquisição de bens e serviços, entre outros

Ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, em audição no âmbito da apreciação na especialidade no OE22, Assembleia da República, 6 maio 2022
Ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, em audição no âmbito da apreciação na especialidade no OE22, Assembleia da República, 6 maio 2022
O Orçamento do Estado para 2022 estima, para a área governativa da Administração Interna, uma receita superior a 2300 milhões de euros de euros. Desta receita, a proposta prevê um investimento superior a 1700 milhões de euros no capital humano, perto de 240 milhões de euros na aquisição de bens e serviços e outros, na ordem dos 170 milhões de euros.
Durante uma audição na Assembleia da República, no âmbito da apreciação na especialidade do Orçamento do Estado para 2022, o Ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, apresentou as seguintes prioridades da proposta:
«Uma política de investimento centrada no reforço e na valorização dos recursos humanos e nas suas condições de trabalho»; a promoção de «uma cultura preventiva em termos de proteção civil»; «a identificação e a proteção das infraestruturas críticas nacionais»; «a reestruturação do sistema de gestão integrada de fronteiras»; «a prevenção e a segurança rodoviária»; o relançamento dos «Contratos Locais de Segurança de nova geração»; e, finalmente, o empenhamento das «forças de segurança para uma cultura de paz, de segurança e de direitos humanos no sistema internacional».
Reforço e valorização dos recursos humanos
Sobre a primeira prioridade, o Ministro disse que esta proposta «prevê três importantes instrumentos de financiamento: a execução da Lei de Programação de Infraestruturas e equipamentos das Forças e Serviços de Segurança ainda em curso; os fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e outros fundos europeus».
«As prioridades são muito claras: as pessoas, as infraestruturas e os equipamentos», afirmou.
Proteção Civil
Relativamente às medidas destinadas à Proteção Civil, José Luís Carneiro referiu «a implementação da Estratégia Nacional para uma Proteção Civil Preventiva até 2030», a prossecução do «trabalho relativo ao sistema de gestão integrada de incêndios rurais», a valorização e a consolidação do nível municipal, «como base do sistema de proteção civil, alicerce da cooperação intermunicipal e das responsabilidades funcionais das Comunidades Intermunicipais».
No caso dos bombeiros, o Ministro disse que «esta proposta prevê 29 milhões e 700 mil euros para o financiamento permanente dos bombeiros, o que significa um crescimento de 3,7% face a 2021».
«Acresce a este valor» - refere José Luís Carneiro - «mais 2,5 milhões de euros para reforço da capacidade operacional e, ainda, um aumento superior a 900 mil euros para o Fundo de Proteção Social do Bombeiro, ou seja, um crescimento na ordem dos 100% face a 2021. Este Fundo de Proteção Social passa a receber em 2022 um milhão e 800 mil euros».
Infraestruturas críticas
Sobre as infraestruturas críticas - a terceira prioridade - o Ministro afirmou que o Governo assume «o objetivo político de elaborar diretrizes para a adaptação das entidades públicas e privadas às situações de crise e para a promoção da elaboração dos respetivos planos».
«O reforço da Cibersegurança nas infraestruturas do Ministério da Administração Interna deve consolidar-se, tendo presente a constante avaliação, monitorização e atualização tecnológica» e garantindo a disponibilidade, a integridade a confidencialidade e a resiliência.
Gestão de fronteiras
Relativamente à reestruturação do sistema de gestão integrada de fronteiras, José Luís Carneiro afirmou que a mesma será feita «à luz dos compromissos internacionais no quadro das Nações Unidas e da União Europeia, ou seja, manter os padrões de segurança e gestão integrada da fronteira externa da União e promover políticas de acolhimento e de integração baseadas nos mais elevados padrões dos direitos humanos».
«Para o efeito, cumpriremos o objetivo da separação entre as funções policiais, administrativas e criminais, promoveremos a defesa dos direitos dos funcionários do SEF e realizaremos um trabalho interministerial capaz de suscitar confiança nos atores e de garantir uma transição serena e segura», acrescentou.
Prevenção e a Segurança rodoviária
Referindo-se à prevenção e segurança rodoviária como «uma prioridade nacional», o Ministro relembrou, que «por força dos investimentos nas infraestruturas rodoviárias, das campanhas de informação e sensibilização» e os «instrumentos de fiscalização e controlo e respetivo regime sancionatório, passámos de 510 mortos em 2017 para 389 mortos, em 2021».
José Luís Carneiro referiu, contudo, que este ainda é um número muito elevado, acrescentando que «a estratégia para 2030 está a ficar concluída e que, no que depender de nós, tudo faremos para que seja acolhida por toda a sociedade portuguesa como um objetivo nacional».
Contratos Locais de Segurança de nova geração
A propósito do relançamento «dos Contratos Locais de Segurança de nova geração, tendo em vista capacitar as comunidades locais, rurais e urbanas», o Ministro disse que o Governo vai promover, nas próximas semanas, «reuniões com as Áreas Metropolitanas e, depois, com as Comunidades Intermunicipais, para efeitos de construção de soluções partilhadas com os Municípios».
Empenhamento externo das Forças de Segurança
Sobre a sétima prioridade, José Luís Carneiro afirmou que as Forças de Segurança continuarão empenhadas «nos mecanismos de ordem e paz mundiais no quadro das missões das Nações Unidas, nos mecanismos de cooperação no contexto do Espaço de Liberdade, Segurança e Justiça da União Europeia e nos mecanismos de cooperação regional, com destaque para a cooperação no âmbito da CPLP, mas também no Norte de África, na América Latina e de cooperação transatlântica com os EUA».
