Países da NATO devem reforçar parcerias para conter influência russa em África
Ministra da Defesa Nacional disse que «a nossa segurança também depende da estabilidade dos nossos vizinhos»

Ministra da Defesa Nacional, Helena Carreiras, no Fórum Público da NATO, Madrid, 29 junho 2022
Ministra da Defesa Nacional, Helena Carreiras, no Fórum Público da NATO, Madrid, 29 junho 2022
A Ministra da Defesa Nacional, Helena Carreiras, alertou para a crescente influência russa em alguns países de África, afirmando que esta também deve ser uma das preocupações dos países membros da Aliança Atlântica, numa intervenção no Fórum Público da NATO, uma iniciativa no âmbito da cimeira que reúne os chefes de Estado e de Governo NATO, que decorre em Madrid.
Helena Carreiras apontou para os problemas gerados pela insegurança alimentar, «que está a afetar países africanos devido à disrupção das cadeias de fornecimento», bem como para «uma variedade de outras ameaças relacionadas com condições económicas e sociais».
A Ministra referiu ainda a instabilidade política em alguns países do continente africano, que «abre espaço para uma crescente influência da Rússia», à qual se junta a presença de grupos paramilitares e de «campanhas híbridas» que criam desafios que os países da NATO devem enfrentar.
«Sabemos que a NATO está a olhar para o leste pelo que se está a passar [na Ucrânia], mas não podemos esquecer que as ameaças surgem de áreas muito distintas. E não considero que a NATO esteja a esquecer» o flanco sul porque tem o «conceito 360 graus que está reforçado no novo conceito estratégico», acrescentou. Também a Federação Russa tem esta abordagem de 360 graus, uma vez que a Rússia está presente em áreas como África e o Atlântico.
Helena Carreiras disse que «devemos pensar em reforçar as nossas parcerias. Não é que a NATO deva estar lá, a NATO é uma aliança regional, mas deve estar preocupada com a estabilidade nas nossas fronteiras porque a nossa segurança também depende da estabilidade dos nossos vizinhos», sublinhou.
A Ministra disse que devem «ser desenvolvidas estratégias para enfrentar estes desafios» e ajudar os vizinhos da Aliança «através do reforço e fortalecimento» de parcerias, destacando a parceria entre União Europeia e NATO que «é absolutamente crucial».
