Primeiro-Ministro agradece empenho do Papa Francisco na JMJ
As migrações, as alterações climáticas, as desigualdades e a paz foram os temas da audiência no Vaticano

Primeiro-Ministro com o Papa Francisco
Primeiro-Ministro com o Papa Francisco
As migrações, as alterações climáticas, as desigualdades e a paz foram os temas da audiência no Vaticano
O Primeiro-ministro, António Costa, teve uma audiência com o Papa Francisco, no Vaticano, em agradecimento pelo trabalho conjunto desenvolvido durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que se realizou em Portugal, entre 1 e 6 de agosto.
"Foi, essencialmente, uma viagem de agradecimento ao Papa Francisco, em primeiro lugar, por ter escolhido Portugal para a realização da JMJ. Foi um trabalho extraordinário que, ao longo destes cinco anos, fomos desenvolvendo, porque aquela semana requereu muito trabalho durante muitos anos e foi um trabalho muito intenso entre o Governo e Santa Sé, com a Igreja Portuguesa e com todas as instituições, com as autarquias que trabalharam muito para que fosse possível esta Jornada", afirmou António Costa, aos jornalistas, no final do encontro.
No encontro, de 45 minutos, o Primeiro-Ministro disse que, no encontro, abordaram questões sobre as quais o Papa tem dado particular atenção, como as migrações, as alterações climáticas, as desigualdades e a paz.
"O Papa Francisco - creio que não direi nenhuma especial novidade – é uma pessoa particularmente cativante, particularmente empática, que tem uma mensagem particularmente clara e com que, pelo menos para mim, é bastante fácil me encontrar com a sua palavra, com a sua mensagem e, portanto, é sempre uma conversa muito enriquecedora", afirmou.
Para António Costa, "é muito importante que instituições como a Igreja tenham força, tenham vitalidade, tenham energia para que esses valores se frutifiquem e ajudem a fortalecer o sentido de comunidade".
O Primeiro-Ministro fez-se acompanhar pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, pela ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares, Ana Catarina Mendes, que teve a tutela da organização da JMJ, e pelo embaixador de Portugal junto da Santa Sé, Domingos Fezas Vital.
Solidários na fronteira comum da UE
Nas declarações aos jornalistas, o Primeiro-Ministro de Portugal defendeu que todos têm de ser solidários na proteção da fronteira comum e também no dever de acolher quem procura segurança na União Europeia (UE).
"Temos uma fronteira comum na União Europeia e todos temos de ser solidários na proteção dessa fronteira comum e temos de ser solidários no dever que a União Europeia tem de acolher aqueles que buscam asilo, segurança para as suas vidas, e também fazer uma gestão responsável, ordenada, positiva, daquilo que são os fluxos migratórios, aliás, para satisfazer muitas das necessidades das sociedades europeias", afirmou António Costa.
Assinalando que, "neste contexto de alterações climáticas, vai ser cada vez mais difícil em muitas regiões do mundo a vida humana existir", António Costa advertiu que a "necessidade de migrar vai seguramente aumentar", pelo que convém ser realista "quanto àquilo que acontecerá no futuro".
"É absolutamente fundamental existirem canais legais de migração, porque é a forma mais eficaz de combater aquilo que é intolerável, que é o tráfico de seres humanos, e garantir que as migrações se fazem em segurança e de uma forma ordenada", prosseguiu.
António Costa salientou ainda que vê "muita gente dizer ‘não queremos mais migrantes’", mas são "as mesmas pessoas que depois, diariamente, recorrem aos migrantes para satisfazer necessidades básicas da sua vida", realçando não conhecer "uma única sociedade europeia onde a vida pudesse decorrer com normalidade" sem o contributo de muitos migrantes, qualificados ou não qualificados.
"Precisamos muito das impressões digitais, dos dados biométricos, todas essas formas de controlo, mas precisamos, essencialmente, de conhecer uma coisa que é o que cada uma daquelas pessoas pretende fazer na vida, qual é o seu sonho", continuou António Costa.
O chefe do Executivo lembrou ainda o "longo historial de migração nas mais diferentes condições" de Portugal, nas décadas 50, 60, 70: "Sabemos bem quais são as experiências das migrações bem-sucedidas e mal sucedidas e, portanto, só temos de olhar para os outros como se nos estivéssemos a ver a nós próprios ao espelho".
