Proteger 30% das áreas marinhas: Portugal antecipa meta para 2026
Anúncio foi feito esta quarta-feira pelo primeiro-ministro, na abertura da II edição do Fórum de Investimento na Economia Azul Sustentável

Portugal vai antecipar em quatro anos meta de proteção das áreas protegidas marinhas
Portugal vai antecipar em quatro anos meta de proteção das áreas protegidas marinhas
Anúncio foi feito esta quarta-feira pelo primeiro-ministro, na abertura da II edição do Fórum de Investimento na Economia Azul Sustentável
Portugal vai antecipar para 2026 o objetivo de criação de 30% de Áreas Marinhas Protegidas - uma meta estabelecida no quadro das Nações Unidas que aponta como horizonte o ano de 2030.
A antecipação em quatro anos do cumprimento deste objetivo foi anunciada esta quarta-feira (4 de outubro) pelo primeiro-ministro.
Falando na abertura da II edição do Fórum de Investimento na Economia Azul Sustentável, no Estoril, António Costa sublinhou a profunda e histórica ligação do país ao mar e lembrou que "Portugal tem jurisdição sobre quase 50% do espaço marítimo europeu e quase 50% dos respetivos solos e subsolos marinhos". Uma das "mais extensas áreas marítimas do mundo e a segunda maior área marítima da União Europeia", o que coloca particulares responsabilidades e desafios, nomeadamente quanto à "urgência em torno da necessidade de proteção dos oceanos" - uma urgência a que Portugal dá tradução com a antecipação da chamada meta 30X30.
Economia Azul Sustentável, uma prioridade do Governo
No discurso de abertura do Fórum, o líder do Executivo referiu que o "mar é também, e mais do que nunca, um recurso estratégico - vital mesmo - para o mundo" e lembrou que a "aposta no mar, e na concretização do potencial da Economia Azul Sustentável é uma das prioridades deste Governo".
Nesse contexto, Portugal tem-se batido pelo reforço do papel da economia do mar "na competitividade estratégica europeia, pelo apoio ao desenvolvimento das energias renováveis oceânica e pela promoção da inovação tecnológica na área da Bioeconomia Azul".
Se o mar está no "ADN histórico" do país, é também um marco para o futuro. "Nas energias renováveis oceânicas temos uma ambição clara: atingir uma capacidade instalada de produção de energia eólica offshore de 10 gigawatts até 2030", afirmou o primeiro-ministro, sublinhando que Portugal acolhe, desde 2020, o primeiro parque eólico offshore flutuante do continente europeu e que está a regulamentar uma Zona Livre Tecnológica (ZLT), dedicada às energias renováveis de origem ou localização oceânica. Neste capítulo, António Costa anunciou que "vamos começar a atribuir, de forma faseada até 2030, através de procedimentos concorrenciais, nova capacidade para atingir os 10Gw" - "Abriremos ainda este mês a fase de manifestação de interesse para participação em projetos eólicos offshore".
Esta é uma aposta que corre a par com o investimento em infraestruturas para a Economia Azul, destacou António Costa: "Estamos a desenvolver, com um financiamento de 87 milhões de euros do PRR, o Hub Azul, uma rede de centros de I&D e universidades focados na ciência, tecnologia e inovação marinhas, alargando à Economia Azul o modelo de promoção de sinergias e transferência de conhecimento entre entidades de inovação e empresas que tanto tem atraído investidores para Portugal".
O primeiro-ministro sublinhou ainda que o país está fortemente empenhado na descarbonização do transporte marítimo, com "investimentos previstos na área de Green Shipping que irão reduzir significativamente o consumo de combustíveis fósseis".
