União Europeia deve investir na juventude africana

As aspirações dos jovens africanos têm muita compatibilidade com os valores europeus, disse o Ministro dos Negócios Estrangeiros

Ministro dos Negócios Estrangeiros, Gomes Cravinho, com o Alto Representante da UE para a Política Externa e de Segurança, Josep Borrel, e o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Chéquia, Jan Lipavsky, Praga, 3o agosto 2022 (foto: UE)

Ministro dos Negócios Estrangeiros, Gomes Cravinho, com o Alto Representante da UE para a Política Externa e de Segurança, Josep Borrel, e o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Chéquia, Jan Lipavsky, Praga, 3o agosto 2022 (foto: UE)

O Ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, participou na reunião informal de chefes das diplomacias dos países da União Europeia que discutiu as relações entre UE e África. A reunião que se realizou em Praga, foi organizada pela presidência checa da União Europeia, e debateu ainda a agressão russa à Ucrânia.

João Gomes Cravinho afirmou que «o debate sobre África foi muito oportuno», dele tendo sobressaído «uma consciência de que nós precisamos de nos manter fiéis aos compromissos assumidos durante a cimeira Europa-África, que aconteceu em fevereiro, imediatamente antes da invasão da Ucrânia», que desviou a atenção e as energias da UE para o Leste europeu.

O Ministro disse que os Estados-membros da UE estão «muito conscientes de que África está numa mudança profunda e rápida, por dois fatores estruturantes que vão alterar a realidade africana nas próximas décadas»: as alterações climáticas e a mudança geracional.

«As alterações climáticas têm um impacto tremendo em todo o mundo, mas o continente africano é dos mais afetados, e isso vai provocar grandes desequilíbrios em diversas partes do continente», disse.

Em segundo lugar, «África tem uma população extremamente jovem, há uma mudança geracional cuja realidade se vem a fazer sentir um pouco por todo o continente, e esta mudança de geração pode ser uma oportunidade interessante para a União Europeia», disse ainda.

«Veja-se quais são os valores e as aspirações dos jovens africanos, e compreendemos que há muita compatibilidade com os valores e aspirações europeias. E nós temos de saber corresponder a essa potencialidade investindo na juventude africana», sublinhou.

Contrariar a propaganda russa

Gomes Cravinho afirmou também que a União Europeia deve investir num diálogo intenso com os parceiros africanos para contrariar a desinformação russa em África.

Em diversas partes do continente africano vê-se «um grande investimento russo na desinformação, na propagação de mensagens falsas e na criação de dinâmicas negativas em relação à Europa», disse, apontando como exemplo «a forma como, no Mali, a Rússia procura desenvolver narrativas antifrancesas».

«Em matéria de desinformação, é um combate desigual, porque nós combatemos de acordo com as regras. Nós procuramos mostrar a verdade, e isso é algo limitado, enquanto a Rússia não se coíbe de inventar todo o tipo de narrativas que podem ter alguma tração a nível local, e que são muito difíceis de combater, exceto caso a caso, individualmente», declarou.

Contudo, «não há nada como ir dialogando, mantendo uma intensidade de contacto com colegas africanos para ajudar a encontrar soluções».

Por outro lado, o Ministro sublinhou que «África não é um continente homogéneo». «Nós, portugueses, convivemos muito com África, e sabemos de grandes diferenças de uma parte do continente para outra parte do continente».

Portanto, «temos de ser sensíveis a essas realidades diferentes, e dialogar de modo que seja compatível com essas realidades, e não de forma cega àquilo que são as múltiplas diferenças» entre as regiões e países africanos.