Urgências metropolitanas em Lisboa vão replicar modelo do Porto
Ministro da Saúde afirmou que as redes de referenciação hospitalar vão ser reformuladas

Ministro da Saúde, Manuel Pizarro, na apreciação na especialidade do Orçamento do Estado para 2023,Assembleia da República, 8 novembro 2022 (foto: João Bica)
Ministro da Saúde, Manuel Pizarro, na apreciação na especialidade do Orçamento do Estado para 2023,Assembleia da República, 8 novembro 2022 (foto: João Bica)
O Ministro da Saúde, Manuel Pizarro, anunciou o desenvolvimento de novas redes de urgências metropolitanas em Lisboa, que vão replicar o modelo aplicado «na área metropolitana do Porto há mais de uma dezena de anos com resultados muito favoráveis».
Manuel Pizarro, que intervinha na audição nas comissões de Orçamento e Finanças e de Saúde da Assembleia da República, no âmbito da apreciação do Orçamento do Estado para 2023, acrescentou que a alteração permitirá «uma melhor gestão de recursos, facilitando o acesso das pessoas» às urgências.
Para melhorar a eficiência dos hospitais, está também prevista a reformulação das redes de referenciação hospitalar quer para a generalidade das especialidades, quer para saúde materna e infantil.
O Orçamento do Estado para 2023 representa um «fortíssimo investimento no Serviço Nacional de Saúde», dando continuidade ao «esforço que tem sido feito desde 2016», disse.
No próximo ano, o Governo pretende facilitar o acesso dos utentes aos medicamentos, através da distribuição dos fármacos prescritos nas farmácias hospitalares, que beneficiará cerca de 150 mil portugueses, «que hoje têm de se deslocar aos hospitais e que passarão a poder receber o seu medicamento na farmácia da sua localidade», bem como da renovação automática das receitas para doentes crónicos.
Vacinação
O Ministro sublinhou a importância da vacinação contra a covid-19 e a gripe cujo programa «está a correr bem», com quase dois milhões de pessoas vacinadas com a quarta dose contra a covid-19.
«Todas as unidades residenciais de idosos e da rede de cuidados continuados já foram objeto do programa de vacinação», disse, referindo a necessidade de «promover ajustamentos no sistema de saúde» para enfrentar o inverno.
Manuel Pizarro salientou ainda que «o Governo acredita profundamente» no novo modelo de governação do Serviço Nacional de Saúde, com a entrada em funcionamento pleno da nova direção executiva, que tem funções operacionais e técnicas, um trabalho a realizar ao longo de 2023.
Inflação
O Ministro disse também que, embora não esteja «excessivamente preocupado com o efeito da inflação sobre o orçamento para 2023», porque «essencial do impacto da inflação nos custos da saúde já ocorreu em 2022», «vivemos num cenário de incerteza».
«Sendo este um orçamento que tem como base o orçamento executado em 2022, eu não espero que haja, nesta matéria, impacto significativo», sublinhou, acrescentando que em algumas das rubricas da despesa, como os meios complementares de diagnóstico e terapêutica, os dispositivos médicos e os medicamentos, há «espaço para uma negociação mais intensa» com a indústria, tanto mais que «vamos executar um programa acentuado de redução da dívida e temos a expectativa de que resulte em alguns ganhos».
Trabalhadores
Acerca da melhoria da situação dos trabalhadores da saúde, Manuel Pizarro disse também que o seu ministério tem «um conjunto vasto de negociações em curso. Até pode haver algumas revisões de carreiras que já sejam pagas em 2022 e que não tenham nenhum impacto no aumento da despesa sobre o orçamento de 2023».
«Nós não fechamos esta hipótese. Nós estamos mesmo a trabalhar intensamente com os sindicatos e é possível que alguns dos acordos tenham execução cabal em 2022, como se tratasse de um ano inteiro», acrescentou.
