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2024-11-14 1835

Interior recebe 40% dos fundos europeus para investimento das empresas

«O Governo decidiu que obrigatoriamente 40% dos fundos de coesão da União Europeia para o investimento empresarial têm de ser investidos nos territórios de baixa densidade populacional», disse o Primeiro-Ministro Luís Montenegro na cerimónia do 100.º aniversário da Empresa das Águas Alcalinas Medicinais de Castelo de Vide.

Luís Montenegro lembrou que nos quadros anteriores de fundos europeus «essa média andou entre 31 e 33%», acrescentando que «os poderes públicos têm de fazer alguma coisa para criar uma economia que gere fixação de pessoas e emprego» nas regiões menos povoadas do interior, nas chamadas regiões de baixa densidade.

«Decidimos também que dentro da componente de fundo perdido houvesse uma majoração de 20% para os investimentos feitos nestas regiões. Normalmente a componente de fundo perdido é de 30% do valor dos investimentos, pelo que com esta majoração pode ir aos 50%», disse.

Oportunidades em todo o território

Estas duas decisões «significam que quando as regiões mais densamente povoadas tiverem gastado os seus 60% dos fundos, eles acabaram, e a diferença de uma empresa investir numa região onde não tem incentivos ou onde tem incentivos de 30% a 50% é muito significativa, entra nas contas que as empresas fazem quando têm de decidir investimentos», acrescentou.

O Primeiro-Ministro sublinhou que «estas duas medidas expressam o que é o nosso caminho, um caminho de discriminação positiva para estas regiões», porque «as empresas, ou têm um sentimento e uma visão patriótica, ou precisam de incentivo forte para se localizar nestes territórios», pois «para termos um país justo e desenvolvido, que é que haja oportunidades em todo o lado».

Todos são necessários

Luís Montenegro disse também que «o nosso conceito de empresa é que a empresa é, em primeiro lugar, os seus trabalhadores; é os seus administradores, os seus órgãos sociais, os detentores do seu capital, é os clientes, os fornecedores, é os que se dedicam a inovar, a investir parte do seu conhecimento na alavancagem de novos métodos, na transformação das unidades produtivas, no seu abastecimento energético, nas técnicas para produzir o seu trabalho final».

«Para além deste conceito de empresa, que é a demonstração de que todos são necessários para que haja sucesso, a associação da Empresa das Águas Alcalinas Medicinais de Castelo de Vide ao Grupo Super Bock é também uma demonstração do que queremos para a economia: ganhar escala», sublinhou.

Na década de 1970, a empresa das águas de Castelo de Vide «associou-se a um grupo maior, este grupo manteve as características desta unidade, a sua relação com a comunidade local, mas envolveu o produto no painel de produtos que disponibiliza e que engrandecem a sua capacidade de ter sucesso numa rede que, no caso da Super Bock, é nacional e internacional».

Responsabilidade social

O Primeiro-Ministro disse que o facto «de este grupo manter viva esta unidade e perspetivar mais investimento para o futuro – estamos a falar de uma grande empresa que tem capital maioritariamente português, mas também capital estrangeiro, mas que tem responsabilidade social» – mostra responsabilidade social.

«A responsabilidade social não é só apoiar associações. É manter emprego, fazer investimento e dar esperança e futuro às pessoas que vivem aqui e às que colaboram para os produtos» que são usados na produção – «toda a realidade económica que gravita à volta de uma grande empresa como esta».

Luís Montenegro referiu também as preocupações de sustentabilidade, «com produção de energia renovável, de a usar na produção e de a compartilhar numa comunidade energética que possibilita que, ao mesmo tempo, tenhamos mais criação de riqueza e de emprego e maior sustentabilidade», que estejamos menos dependentes de energia importada e tenhamos preservação ambiental.

Referindo que os fenómenos meteorológicos recentes em Espanha, «e os de hoje no Algarve», mostram que «as preocupações ambientais, as alterações climáticas e a sustentabilidade não são apenas retórica política ou académica». «É preciso olhar para isto com realismo, mas também com esperança, porque temos empresários – como temos agricultores, nesta região com grande predominância do setor agrícola –, com preocupações ambientais.