Governo avança com estudo para adaptar o Sistema Elétrico Nacional às alterações climáticas
- Estudo vai incluir a avaliação do enterramento de linhas em áreas críticas e a adaptação dos instrumentos de planeamento da rede à nova realidade climática;
- No prazo de 180 dias, estará feita a análise do custo-benefício das diferentes soluções, uma estimativa dos investimentos necessários e um plano faseado de implementação.
Maria da Graça Carvalho: "Estamos obrigados a adaptar o sistema elétrico para evitar disrupções de serviço e assegurar a segurança no abastecimento".
A Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, determinou a realização de um estudo técnico, económico e regulatório sobre a adaptação do Sistema Elétrico Nacional às alterações climáticas.
O estudo, a ser contratado pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) e que deverá estar concluído no prazo máximo de seis meses, vai debruçar-se sobre a identificação de áreas críticas com maior exposição a incêndios rurais ou fenómenos meteorológicos extremos e avaliar, comparativamente, soluções técnicas que melhor se adequem a essas áreas – como o reforço estrutural de linhas aéreas; o enterramento total ou parcial; soluções híbridas e tecnologias de reforço de resiliência –, avaliando também o custo-benefício de cada solução e impactos na continuidade de serviço e na tarifa.
O estudo deverá ainda apresentar uma estimativa dos investimentos necessários, uma proposta de adaptação metodológica dos instrumentos de planeamento (a ser incluída nos próximos ciclos do Plano de Desenvolvimento e Investimento da Rede Nacional de Transporte e do Plano de Desenvolvimento e Investimento da Rede Nacional de Distribuição), bem como um plano faseado de implementação, com definição de prioridades, calendarização indicativa e fontes de financiamento.
Lembrando que a Comissão Europeia reforçou recentemente o financiamento e a simplificação regulatória para investimentos em infraestruturas resilientes e inteligentes através do recente Grids Package, Portugal poderá captar investimento europeu para a necessária transformação da sua rede.
A tempestade Kristin, que provocou perturbações significativas no Sistema Elétrico Nacional, demonstrou a urgência na reavaliação dos critérios de planeamento, designadamente quanto à robustez estrutural das infraestruturas, à seletividade de enterramento de linhas em áreas críticas e à incorporação de métricas de resiliência nos processos de decisão.
Maria da Graça Carvalho diz que o planeamento e desenvolvimento das redes elétricas "têm de garantir a segurança, fiabilidade e a qualidade do serviço" e que "estamos obrigados a adaptar o sistema elétrico às exigências do presente e necessidades do futuro para evitar disrupções de serviço e assegurar a segurança no abastecimento".
De referir que o Governo já concluiu a revisão da Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas (ENAAC 2030) que, após ter estado em consulta pública, vai seguir o normal processo de aprovação legislativa, o que representa um avanço na forma como devemos lidar com os impactos das alterações climáticas, inclusivamente ao nível das infraestruturas energéticas.
