Intervenção do Ministro dos Assuntos Parlamentares no encerramento da Embodied AI
Estamos novamente numa mudança de Era: Sabemos de onde viemos mas ainda não para onde vamos. Desta vez, suspeitamos que faremos este percurso não como viajantes, mas já como criadores. Sem querer parecer excessivamente religioso, mas, convenhamos, o medo do desconhecido foi sempre um estímulo a todas as visões do sagrado, atrevo-me a relembrar que na descrição que o Genesis faz do pecado capital, a serpente promete a Eva e a Adão: ”- Um dia sereis iguais aos deuses”…
Com a humildade de um cidadão que confessa ainda não ter superado o seu estado de perplexidade perante as últimas mudanças vertiginosas do tempo em que estamos, podemos já figurar os seres humanos como criadores da replicação da nossa fisicalidade e inteligência. Um e outro à nossa imagem: entre as mudanças mais disruptivas temos a robótica humanoide.
A Inteligência Artificial capturou o debate público, desafia os nossos alicerces éticos e está a redefinir o horizonte do nosso futuro coletivo. Colocou-nos perante um paradoxo profundo, designadamente, obrigou-nos a confrontar a nossa própria vulnerabilidade humana, paradoxalmente, no exato momento em que nos deslumbramos com a imensidão da nossa capacidade criadora. E, enquanto debatemos se a Inteligência Artificial tem consciência ou não, hoje, com a Inteligência Artificial Incorporada, o debate já é outro. Porque dêmos um corpo a esse cérebro. Hoje falamos de uma Inteligência Artificial material, uma Inteligência Artificial que coexiste na nossa realidade, uma Inteligência Artificial que vive lado a lado connosco e nos dá literalmente a mão.
Leia a intervenção na íntegra.