Intervenção do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, na Conferência de Imprensa conjunta com o Secretario de Estado norte-americano, Marco Rubio

Conferência de Imprensa  - 8 de outubro 2026 

Portugal e os Estados Unidos da América são aliados, aliados históricos, com  uma relação  longa de laços fortes na economia, na segurança e na cultura.

Bem vindo a Lisboa, caro Secretário de Estado Marco Rubio.  

Quero renovar as nossas saudações pelos 250 anos da independência norte-americana.  Recordando que Portugal o brinde da independência foi feito com vinho português (vinho da Madeira) e que fomos o terceiro país do mundo a reconhecer a sua independência. 

Esta visita ocorre num momento de enorme desenvolvimento das nossas relações bilaterais, nomeadamente em sectores chave como o económico e o turismo. O interesse dos EUA pelo destino “Portugal” continua a crescer: em 2025, os visitantes norteamericanos já geravam 10,8% das receitas turísticas, colocando os EUA entre os principais mercados. No primeiro trimestre de 2026, Portugal reforçou esta tendência, com os EUA a subir para o 3.º lugar. 

No sector económico, as nossas empresas reconhecem, cada vez mais, as oportunidades reciprocamente benéficas de cada um dos mercados. Por um lado, a aposta de empresas portuguesas de referência como a EDPRenováveis, Hovione ou Sovena no mercado norte-americano; por outro, o aumento dos investidores norte-americanos em Portugal. Empresas como a Goldman Sachs, a  Aquaterra, a UPS, mas também a IBM, AWS e Google têm já uma presença relevante no nosso País.  

Os Estados Unidos são um parceiro estratégico de Portugal e da Europa. Enquanto estado-membro da União Europeia, Portugal é seguramente um dos campeões da prioridade que deve ser dada à relação transatlântica. Enquanto Estado atlântico, nunca esquecemos a dimensão atlântica e marítima da Europa e da União Europeia. 

No quadro dessa relação transatlântica, Portugal concorda com o apelo norte-americano para que a Europa assegure e se responsabilize, em primeira linha, pela sua própria defesa. Esse reconhecimento tem-se traduzido num esforço orçamental, também no quadro da NATO. Portugal passou de um investimento em defesa estimado de 1,58% em 2024 para 2,01% em 2025 – o que representa um aumento relativo de 32,03%.  

Este esforço orçamental é feito no quadro dos compromissos assumidos por todos os aliados. A NATO foi e é, desde a sua fundação, um pilar fundamental da nossa defesa e segurança nacional e um eixo prioritário da política externa. No actual  contexto internacional, Portugal reafirma a importância desta ligação transatlântica e advogará sempre por uma cooperação NATO-UE próxima e efectiva.

No continente europeu, reafirmamos o nosso apoio incondicional à Ucrânia.E acreditamos que o contributo dos Estados Unidos para se poder atingir uma paz justa e duradora nesse conflito éessencial e indispensável. Na situação no Médio Oriente, reconhecemos as ameaças e riscos postos pelo Irão e seus “proxys”, defendemos o absoluto respeito pela integridade e soberania dos nossos amigos Estados do Golfo, consideramos fundamental a defesa da liberdade de navegação em Ormuz e em toda a região, sem qualquer tipo de excepção e em total respeito pela lei do mar (UNCLOS).

Mais uma vez, desejamos o restabelecimento da paz numa solução duradoura e sabemos quão fundamental é o contributo dos Estados Unidos nesta solução.    

Ao nível multilateral e na preparação do exercício do nosso mandato como membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, temos mantido um diálogo com todos os estados-membros daquele órgão, pelo que naturalmente este foi um dos assuntos que hoje discutimos. Portugal e os EUA têm posições convergentes na maioria dos temas da agenda do Conselho de Segurança, pelo que também, nesta frente, se prevê um relacionamento profícuo. 

Neste dia tão importante para a nossa relação bilateral, quero saudar de maneira especial a importante comunidade portuguesa nos Estados Unidos, implantada de costa a costa, e saudar a nova, numerosa e dinâmica comunidade norte-americana em Portugal, que tanto tem contribuído para uma nova fase – ainda mais estreita – da nossa relação de quase 250 anos, mais precisamente 243 anos. 

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