738 Km a ouvir os autarcas. Investimentos para melhorar a EN2 vão avançar
Roteiro de 4 dias pela EN2 arrancou em Chaves e terminou em Faro
"Ver para Fazer". Mais de 730 quilómetros (Km) percorridos em quatro dias pela icónica Estrada Nacional 2 (EN2) e ouvidos os anseios dos 35 autarcas ao longo do percurso, feita a radiografia do território, o caderno de encargos é vasto e o balanço muito positivo.
O Ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, tomou nota das reivindicações dos autarcas e apontou caminhos e soluções para melhorar a vida das populações daquele território do interior atravessado pela EN2, que percorre o país de norte a sul, de Chaves a Faro, ao longo de 738 Km.
"Hoje, ao terminar esta viagem pela Nacional 2, reafirmo uma convicção: não basta ligar estradas. Temos de ligar vidas, oportunidades e igualdade de acesso. À educação, à saúde e à habitação. Só assim o país se reencontra consigo próprio. Governamos em diálogo permanente com os representantes do poder local – tenham a cor política que tiverem, como ficou patente nestes 738 km percorridos, ao longo de 35 concelhos", afirmou Miguel Pinto Luz.
"A EN2 une o país de norte a sul. Mas a nossa ambição é maior: unir todos os portugueses às mesmas oportunidades, onde quer que vivam. Essa é a verdadeira justiça territorial. Ninguém fica para trás", acrescentou o Ministro das Infraestruturas e Habitação.
Deste roteiro pela estrada que é a espinha dorsal de Portugal, resultaram o acolhimento de propostas dos autarcas não só das áreas das Infraestruturas à Habitação, mas também da Juventude à Saúde e Educação, que serão transmitidas aos respetivos titulares das pastas governamentais. Propostas que serão agora avaliadas, mas sobre as quais foram já tomadas decisões. Foi ainda inaugurada a rotunda EN2 em Faro, para assinalar os 80 anos da abertura desta estrada.
Decisões já tomadas em relação à EN2:
- O Governo mandatou a IP para realizar um levantamento técnico exaustivo das necessidades da EN2, tendo em vista:
- Melhoria das condições de segurança do traçado;
- Requalificação dos marcos e bermas;
- Criação de parques para autocaravanas e motards e outras zonas de descanso;
- Melhoria da sinalética informativa para destacar a oferta cultural, patrimonial e gastronómica de cada concelho, em conjunto com o Turismo de Portugal.
- Pelo seu simbolismo, construir marcos de maior dimensão no Km 0 e no Km 738 que assinalam o início e o fim do percurso da EN2 em Chaves e Faro, respetivamente.
- Requalificar o troço entre o Km 425,0 e o Km 467,9, nos distritos de Santarém e Portalegre, que atravessa os concelhos de Abrantes, Ponte de Sor e Avis, visando reforçar as condições de segurança e circulação, atendendo a que o seu atual estado de conservação é considerado insatisfatório. Pela sua extensão (43 km) e natureza dos trabalhos a executar, esta empreitada terá um preço base de 10 milhões de euros, exigindo o lançamento de um concurso público internacional, a acontecer em breve.
- Repor a plataforma rodoviária ao Km 710 da EN2, em São Brás de Alportel, no distrito de Faro, na sequência do abatimento do pavimento provocado por fenómenos geotécnicos associados às intempéries registados no inverno passado.
Do "caderno de encargos" que resultou desta viagem, destacam-se as seguintes preocupações assinaladas pelos autarcas:
- Desclassificar troços urbanos da EN2, por forma a que as autarquias e a IP acordem a requalificação da estrada, conforme proposta de presidentes de câmara que veem a EN2 atravessar os seus municípios na parte urbana;
- Necessidade de uma decisão quanto ao traçado do IP 3 em perfil de autoestrada entre Coimbra e Mortágua;
- Construção de um acesso da A2 ao futuro heliporto de serviço de emergência de Vila de Rei;
- Necessidade de melhoramentos e construção de estradas e variantes que melhorem acessibilidade e combatam o isolamento territorial;
- Na zona do Médio Tejo foi destacada a necessidade de requalificação do IC9, já contemplada na Resolução do Conselho de Ministros 69/2025, de 20 de março;
- A extensão da ferrovia e melhoramento das estações ferroviárias;
- Necessidade de requalificar a Barragem do Lapão;
- Preocupação com a oferta de habitação pública.
Foram quatro dias de trabalho de terreno, em que o Ministro das Infraestruturas e Habitação esteve acompanhado, em alguns percursos, pelo Secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, Silvério Regalado e pelo Secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado.
"Não basta dizer que temos de combater a interioridade. É preciso conhecer, ouvir os autarcas e os agentes locais para conhecer as suas necessidades e dificuldades. Reuni-me com 35 presidente de câmaras municipais e ouvi os anseios das pessoas. Senti, ouvi, falei, porque é na proximidade que queremos encontrar as melhores soluções", defendeu Miguel Pinto Luz.
O roteiro do Ministro das Infraestruturas e Habitação teve início na tarde do dia 21, em Chaves, no Km 0 da EN2 e terminou em Faro no dia 24, no Km 738, por ocasião dos 80 anos desta rodovia que funciona como uma espinha dorsal do território nacional. Um desafio lançado em julho, em Vila de Rei, à Associação de Municípios da Rota da EN2, adiado para depois das eleições autárquicas.