Declaração do Primeiro-Ministro sobre a decisão da Procuradoria-Geral da República de arquivar a averiguação preventiva no caso Spinumviva
Portugueses,
No passado dia 3 de dezembro fui notificado do despacho de arquivamento do processo de verificação que correu termos na Procuradoria Europeia, na sequência de uma denúncia da Drª Ana Gomes.
Ontem, fui notificado do despacho de arquivamento da averiguação preventiva promovida pelo Ministério Público, na sequência de várias notícias e denúncias anónimas.
Todas as notícias e denúncias que estiveram na origem destes procedimentos assentaram em insinuações, suspeições e especulações a que muitos aderiram e voluntariamente ampliaram no espaço político e mediático.
E mesmo que essas denúncias não tivessem sido acompanhadas de demonstrações probatórias suficientes e credíveis, nem consubstanciassem uma racionalidade plausível, a verdade é que as autoridades competentes e autónomas decidiram conduzir uma investigação profunda sobre a minha vida profissional e patrimonial e da minha família, bem como sobre a conformidade do exercício das funções de Primeiro-Ministro.
O Ministério Público, coadjuvado pela Polícia Judiciaria, promoveu uma averiguação preventiva que, na prática, foi um autêntico inquérito criminal, tal foi o alcance das diligências efetuadas e os elementos probatórios apreciados.
Invoco a este propósito a minha qualidade de advogado com prática forense para poder atestar que, em certo sentido, se foi mais longe do que o normalmente admissível num inquérito, uma vez que os visados aceitaram uma total inversão do ónus da prova e alguns elementos solicitados e disponibilizados talvez esbarrassem no critério de um juiz de instrução, acaso carecessem da sua autorização.
Portugueses,
Parece-me importante transmitir-vos que nesta averiguação, e entre outras coisas, foram analisados movimentos bancários e extratos bancários, meus, da minha mulher e dos meus filhos. Foram demonstrados fluxos financeiros, aplicações financeiras e as origens dos fundos utilizados na aquisição de património dos próprios. Foram demonstrados os serviços prestados, a identidade dos clientes, o valor cobrado, os prestadores concretos dos serviços, os balancetes, as demonstrações de resultados, as despesas e a totalidade dos extratos bancários da sociedade SPINUMVIVA, desde o dia da sua constituição até ao momento.
Foram aferidas as condições de independência, isenção e exclusividade do exercício de funções governativas.
E eu próprio me disponibilizei para ser ouvido, o que aconteceu também.
Portugueses,
Depois da avaliação e pronuncia da Ordem dos Advogados, da Procuradoria Europeia, do Ministério Público e da Polícia Judiciária, todas estas instituições convergem na conclusão da inexistência de indícios de ilegalidade ou ilícitos criminais e todas arquivaram os respetivos procedimentos.
Em conclusão, e depois de tantos dislates, é justo e adequado afirmar sem reservas:
- Exerci sempre a função de Primeiro-Ministro em regime de exclusividade e nunca fui avençado de ninguém desde que assumi as funções de presidente do PSD;
- Tudo o que decidi no exercício de funções públicas foi atendendo ao interesse nacional, ao interesse público e nunca atendendo a qualquer interesse particular;
- A sociedade familiar que fundei só teve receitas em função dos concretos e efetivos serviços e trabalhos que prestou, desde o seu primeiro dia de funcionamento até ao dia de hoje;
- Nem eu, nem a minha família, obtiveram qualquer vantagem indevida ou qualquer incremento patrimonial ilícito.
Portugueses,
No Portugal vencedor que estamos a construir, com uma nova cultura de confiança, de exigência e de ética, não são as capas dos jornais nem os despachos de abertura de inquéritos por denúncias infundadas, quase sempre anónimas, que conduzem a política e a democracia.
Quem conduz a política é o povo e são aqueles que o povo escolhe como seus legítimos representantes. Os escrutínios jornalístico e judicial existem, são mesmo fundamentais, essenciais à democracia, mas também eles devem funcionar com regras.
E a regra não pode ser a utilização de expedientes e muitas vezes conluios para exibir histórias mal contadas que, afinal de contas, as autoridades competentes confirmam que não são verdade.
Aqueles que ultrapassam os limites da sua condição e função, aqueles que ultrapassam os limites das regras e da verdade, caem na tentação totalitária.
E o totalitarismo pode afetar o pensamento e a conduta política, mas também jornalística ou judiciária.
Hoje, deixo-vos esta reflexão não a pensar em mim, nem a pensar neste caso.
Deixo-vos esta reflexão a pensar em Portugal, no futuro da nossa democracia e no bem-estar dos portugueses.
E quero assegurar-vos a todos, portugueses, esperei com tranquilidade este dia. Digo mesmo, com muita tranquilidade.
É verdade, sofrendo por ver os meus sofrer, mas imensamente tranquilo.
Hoje é, portanto, o dia para vos dizer que continuarei firme a conduzir a governação do país. Com espírito humanista e reformista. Portugal tem tudo para ser um país mais próspero, mais justo e mais feliz.
Temos um povo trabalhador e um povo empreendedor.
Temos uma juventude qualificada e uma juventude competente.
Temos um tecido económico inovador, temos capacidade empreendedora, temos credibilidade internacional.
Temos segurança e temos posicionamento estratégico.
Temos estabilidade financeira e vigor económico.
Temos sentido de responsabilidade e temos sentido de solidariedade.
Temos, portanto, de desenvolver uma cultura de maior autoestima, de maior confiança, de maior exigência. Uma mentalidade vencedora, com ética no trabalho e foco no resultado.
E é para isso que aqui estou, com toda a energia. E aqui estaria em qualquer circunstância. Para continuar a trabalhar com humildade, com honestidade, mas também com muita firmeza e, sobretudo, com muita, muita confiança. Com muita confiança em Portugal, com muita confiança nos portugueses.
Muito obrigado.
