Estado adquire manuscritos de Fernando Pessoa e de outros autores portugueses

Poemas e cartas a Ofélia Queiroz integram aquisição de 73 625,99 euros destinada à Biblioteca Nacional de Portugal

Estado adquire manuscritos de Fernando Pessoa e outros autores (MCJD)

O Estado exerceu o direito de preferência para adquirir um conjunto raro de manuscritos de Fernando Pessoa, Teixeira de Pascoaes, Vitorino Nemésio, Camilo Castelo Branco e Ana Plácido. Os documentos passam a integrar as coleções da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), ficando disponíveis para estudo, investigação e divulgação.

Entre as peças adquiridas destaca-se um conjunto de Fernando Pessoa, que inclui poemas e correspondência dirigida a Ofélia Queiroz. Os poemas complementam versões datilografadas já conservadas no espólio do autor depositado na Biblioteca Nacional. Já as cartas reforçam a documentação existente sobre a relação entre o poeta e a sua única namorada conhecida, uma vez que a instituição conservava, até agora, apenas uma carta de Pessoa para Ofélia Queiroz.

A Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, considera que “a aquisição e integração destes documentos únicos nas coleções da Biblioteca Nacional de Portugal abre novas possibilidades de estudo e conhecimento sobre a literatura portuguesa”.

“Estamos a preservar testemunhos preciosos do processo criativo de alguns dos nossos autores mais relevantes e, ao mesmo tempo, a garantir o acesso a todos os interessados”, acrescentou.

A aquisição inclui ainda o manuscrito de “O Homem Universal”, de Teixeira de Pascoaes, que se junta a outros documentos do autor conservados pela Biblioteca Nacional, entre os quais o manuscrito de “Um Passeio”. Integram igualmente este conjunto um conto autógrafo de Vitorino Nemésio e cartas de Camilo Castelo Branco e Ana Plácido.

Os documentos foram adquiridos num leilão da Cabral Moncada Leilões, realizado em Lisboa a 1 de junho. A compra, formalmente concluída a 10 de agosto, representou um investimento de 73 625,99 euros, dos quais 47 464,10 euros correspondem ao núcleo de Fernando Pessoa e 26 161,89 euros aos documentos dos restantes autores.

Parte dos manuscritos pertence a autores cuja obra já se encontra no domínio público, o que permite potenciar a sua digitalização e disponibilização em acesso aberto. Investigadores, docentes, estudantes e leitores, em Portugal e no estrangeiro, passarão assim a beneficiar de novas fontes para o estudo e aprofundamento do conhecimento da literatura portuguesa.