2026-05-14 1546

Governo avança com reforma laboral para aumentar salários, produtividade e conciliação familiar

O Governo aprovou esta quinta-feira, em Conselho de Ministros, a proposta de lei de revisão da legislação laboral, no âmbito da reforma “Trabalho XXI”, uma reforma que pretende tornar as empresas mais competitivas, promover melhores salários e responder aos desafios do mercado de trabalho e da economia digital.

A proposta, que segue agora para apreciação parlamentar, segue-se a nove meses de negociações em Concertação Social, com 58 reuniões e mais de 200 horas de trabalho. A proposta é baseada no texto do anteprojeto, mas beneficiou de dezenas de contributos de parceiros sociais, academia e sociedade civil.

A reforma é apresentada pelo Executivo como um instrumento para modernizar o mercado de trabalho, aumentar a produtividade e facilitar a conciliação entre vida profissional e familiar, sem reduzir direitos laborais.

Mais flexibilidade para empresas e trabalhadores

Entre as principais alterações está a introdução do banco de horas por acordo entre trabalhador e empregador, permitindo ajustar a jornada de trabalho às necessidades das empresas e dos trabalhadores.

O novo regime prevê um limite de duas horas diárias e 150 horas anuais, exige acordo expresso do trabalhador e determina que as horas acumuladas sejam gozadas no prazo máximo de seis meses ou pagas no final desse período com um acréscimo de 25%.

A proposta introduz também maior flexibilidade nos contratos de trabalho a termo, voltando a permitir a contratação a termo de jovens e desempregados de longa duração. O prazo mínimo destes contratos sobe para um ano e a duração máxima aumenta para três anos, no caso contrato de termo certo, ou para cinco anos no caso de contrato a termo incerto.

O diploma prevê ainda alterações ao teletrabalho, ao trabalho em plataformas digitais e ao regime do trabalho suplementar, bem como a simplificação de mecanismos como o lay-off e a transmissão de estabelecimento.

No âmbito da adaptação à economia digital, a reforma inclui regras relativas ao uso de algoritmos e inteligência artificial nas decisões empresariais, assegurando controlo humano em matérias como recrutamento e avaliação de trabalhadores.

Reforço da conciliação entre trabalho e família

A proposta reforça igualmente medidas de proteção social e familiar.

Uma das novidades é a criação da jornada contínua para pais e avós de crianças até aos 12 anos, ou com deficiência, doença crónica ou doença oncológica, permitindo reduzir a pausa de almoço e terminar o trabalho mais cedo, por acordo com o empregador.

A licença parental inicial pode chegar aos seis meses pagos a 100%, quando exista partilha entre os progenitores na fase final da licença. A proposta prevê ainda o aumento da licença exclusiva do pai.

Em caso de interrupção da gravidez, a mãe passa a beneficiar de uma licença entre 14 e 30 dias, paga a 100% pela Segurança Social, enquanto o pai terá direito a três dias de falta justificada.

A reforma mantém também o regime de amamentação mais favorável da Europa, preservando o direito à dispensa de duas horas de trabalho por dia, pagas pelo empregador, até aos dois anos da criança.

Medidas para jovens e valorização do trabalho

A proposta elimina o período experimental específico para jovens e inclui medidas destinadas a facilitar a entrada no mercado de trabalho, como contratos a termo mais longos e regime de trabalho nas férias letivas.

A proposta reforça ainda a proteção de estudantes trabalhadores, desempregados de longa duração, trabalhadores com deficiência e trabalhadores reformados.

Entre outras medidas, a proposta prevê:

aumento da indemnização substitutiva de reintegração de trabalhador ilicitamente despedido
aumento da compensação por despedimento coletivo
possibilidade de receber subsídios em duodécimos
aumento do tempo de férias
fim da obrigatoriedade de devolver a indemnização por despedimento e outros créditos como condição de impugnação do despedimento. 
possibilidade de acumulação da pré-reforma com rendimentos do trabalho
reposição da remissão de créditos por acordo, com garantias reforçadas para os trabalhadores

Dinamização da contratação coletiva

A proposta inclui ainda medidas de dinamização da contratação coletiva, com mais matérias abertas à negociação entre parceiros sociais e novos mecanismos para acelerar a renovação de convenções coletivas.

No domínio do direito à greve, o diploma prevê o alargamento dos setores considerados vitais para efeitos de serviços mínimos e assegura que nas greves em setores vitais há sempre serviços mínimos. 

Segundo o Governo, a reforma procura responder a problemas estruturais da economia portuguesa, como os baixos salários, a reduzida produtividade, a elevada segmentação do mercado de trabalho e a dificuldade de retenção de jovens qualificados no país.