Governo e Comissão Europeia reforçam resposta e resiliência energética após a tempestade "Kristin"
A Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, destacou esta segunda-feira a resposta coordenada entre Portugal e a Comissão Europeia aos impactos da tempestade "Kristin", sublinhando o papel central da resiliência energética na proteção das populações e no funcionamento do País. As declarações foram feitas numa conferência de imprensa conjunta, em Lisboa, com o Comissário Europeu para a Energia e a Habitação, Dan Jørgensen, após uma reunião bilateral e uma mesa-redonda com representantes do setor energético.
A Ministra agradeceu a cooperação do setor público e privado, salientando o trabalho desenvolvido nos últimos dias tanto na reposição do fornecimento de energia elétrica nas zonas afetadas como nas ações preventivas para mitigar o risco de cheias. Segundo indicou, foram ativados mecanismos de cooperação nacional e europeia para responder aos efeitos imediatos da intempérie.
Por seu lado, o Comissário Europeu para a Energia e a Habitação reiterou que "na Comissão Europeia, estamos solidários com Portugal e faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para ajudar nesta situação difícil", defendendo uma resposta articulada, o recurso ao Fundo de Solidariedade e o investimento em redes elétricas mais resilientes. Dan Jørgensen sublinhou que é necessário um sistema de redes "mais preparado para o futuro", planeado à escala europeia e com maior interligação transfronteiriça, enquadramento a ser trabalhado no futuro Pacote Europeu para as Redes Elétricas ("grid package").
Maria da Graça Carvalho afirmou que os eventos extremos associados às alterações climáticas impõem uma adaptação estrutural das infraestruturas energéticas. "Temos de pensar a nossa rede de uma forma diferente", afirmou a ministra, admitindo a necessidade de aumentar o enterramento das linhas elétricas, apesar dos custos acrescidos, lembrando que Portugal tem atualmente apenas cerca de 20% da rede enterrada, abaixo de outros países europeus, o que reforça a exigência de investimento e planeamento de longo prazo.
No pico da ocorrência, cerca de 1,1 milhões de clientes ficaram sem eletricidade. Em cinco dias, foi possível recuperar 80% do serviço, mantendo-se os trabalhos nas áreas mais críticas, em particular no distrito de Leiria, onde subsistem danos relevantes nas infraestruturas de média e baixa tensão.
Perante a forte pressão sobre os sistemas elétricos e os constrangimentos sentidos pelas populações e pelos operadores, num contexto de fenómenos extremos cada vez mais frequentes, foram mobilizados mais de 200 geradores, públicos e privados. Foi igualmente assegurada a cooperação com Espanha na gestão preventiva das descargas das barragens, contribuindo para reduzir riscos adicionais de cheias.
O Governo reafirmou, assim, uma resposta política clara e articulada com a Comissão Europeia, colocando a resiliência energética no centro da ação governativa, em consonância com a estratégia europeia para a transição climática e a segurança do abastecimento. Estão em curso o alinhamento com o Pacote Europeu para as Redes, novas abordagens de planeamento europeu, o desenvolvimento do Plano Nacional de Armazenamento e soluções descentralizadas, como o mini-fotovoltaico, com recurso a fundos europeus.
