Governo seleciona a Lufthansa para aquisição de até 49,9% do capital social da TAP

Governo assegura um encaixe de 1 201M€ com a alienação de até 49,9% do capital social da TAP à Lufthansa

Governo seleciona a Lufthansa para aquisição de até 49,9% do capital social da TAP

• Decisão final, entre Air France/KLM e Lufthansa, recaiu sobre a proposta financeiramente mais robusta apresentada pela Lufthansa, que apresentou também um ambicioso plano de crescimento para a TAP e possibilidade de novos investimentos em Portugal. 

• Governo considera que esta operação salvaguarda os interesses estratégicos nacionais, estando convicto de que a Lufthansa tem a escala, os recursos e a ambição necessária para o crescimento sustentável da TAP. 

• Ambos os proponentes apresentaram propostas para a aquisição da maioria do capital, a operacionalizar numa eventual segunda fase, que possibilita a recuperação do capital injetado pelo Estado. 

• Governo reconhece que as propostas de ambos os proponentes foram consideravelmente melhoradas nas últimas semanas durante a fase final de negociação, tendo convergido ao nível da proposta estratégica e das condições contratuais. 

Valor de aquisição é superior a avaliações independentes realizadas desde 2023 e recupera investimento público.  

A operação, aprovada hoje em Conselho de Ministros, prevê a alienação de 44,9% do capital social da TAP à Lufthansa, ao qual acresce até 5% caso os trabalhadores não exerçam o seu direito de aquisição. O valor total da operação, incluindo os 5% reservados aos trabalhadores, corresponde a 1 201M€. 

A decisão do Conselho de Ministros teve por base a avaliação das propostas na componente técnica, contratual e financeira, recaindo a decisão final sobre a proposta com a oferta financeira superior e de menor grau de incerteza.  
 
O Governo destaca a elevada maturidade técnica das propostas apresentadas pelos proponentes e entende que a integração na Lufthansa permitirá o crescimento da TAP a nível global, com reforço da presença na América Latina, reforço da presença no aeroporto do Porto e aumento da frota TAP (até 130 aeronaves), além de salvaguardar os interesses estratégicos nacionais como a ligação às ilhas, a manutenção da marca TAP e da sede e o robustecimento do hub em Lisboa. A proposta da Lufthansa prevê também investimentos adicionais em Portugal na área da manutenção e engenharia e a possibilidade de criação de uma escola de treino militar de pilotos em Tancos.  

Na componente financeira, a proposta da Lufthansa para a aquisição de até 49,9% do capital social da TAP é até 16% superior à apresentada pela Air France/KLM. Ambos os proponentes apresentaram ainda propostas firmes para a aquisição da maioria do capital da TAP, a decorrer numa eventual segunda fase sujeita a processo autónomo, estando o valor total da TAP, em ambos os casos, substancialmente acima das avaliações independentes e das projeções apresentadas na esfera pública desde 2023. 

A proposta apresentada pela Lufthansa para a maioria do capital prevê um encaixe adicional de 1 351M€, resultando numa valorização total direta da companhia em 2 552M€. 

Esta valorização inclui a permuta de ações equivalente a 5% do grupo Lufthansa-TAP, o que permite ao Estado Português tornar-se o segundo maior acionista da entidade conjunta, bem como uma componente em cash de 863M€, assumindo a conclusão da eventual segunda fase até julho de 2028.  

Importa ainda referir que a operação, considerando os dividendos futuros e valorização da participação do Estado Português na Lufthansa, possibilita a recuperação do investimento de 3,2 mil M€ injetado pelos contribuintes portugueses na companhia na última década.  

No que concerne aos aspetos contratuais e de governação, importa referir que ambos os proponentes melhoraram substancialmente as condições apresentadas na fase anterior, resultando em propostas que acautelam a posição do Estado enquanto permitem ao parceiro privado assumir a gestão operacional da companhia.
  
Por último, o Governo reitera que o sucesso da privatização da TAP assenta em três pilares fundamentais:  

• Uma estratégia ambiciosa e articulada para o setor da aviação, com a decisão e lançamento do processo do Novo Aeroporto de Lisboa, a expansão e melhoria na restante rede aeroportuária e o reforço da performance dos vários atores do sistema;
 
• A criação de um processo desenhado para maximizar a concorrência, com a definição clara de requisitos de participação e critérios de seleção das propostas, e um modelo de venda minoritária que maximize o prémio de controlo; e 

• A preparação da TAP para ser levada ao mercado, com conclusão integral do plano de reestruturação imposto pela Comissão Europeia e das operações societárias necessárias. 

Para o Ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, este é um momento de viragem da aviação nacional e o assumir de um compromisso do Governo com os portugueses: “Trata-se de uma decisão estratégica, que, como era nossa vontade, não se confinou ao preço. Estamos em condições de garantir que salvaguardámos os interesses da TAP e dos portugueses”. 

Para o Ministro de Estado e das Finanças, a decisão hoje aprovada “permite lançar uma nova fase na história da companhia aérea, de maior capacidade e competitividade, possibilitando ao Estado e aos contribuintes portugueses recuperar um montante muito superior, face àquele que era expectável inicialmente.”   

Grandes Números

➢ 49,9% do capital social da TAP alienado nesta fase da privatização – dos quais até 5% reservado para os trabalhadores. 
➢ 1 201M€ de encaixe total nesta fase, correspondente à oferta financeira da Lufthansa, considerando os 49,9% de capital social. 
➢ 2 552 M€ de valorização total direta da companhia após uma eventual fase 2. 
➢ 6,4x - Múltiplo da operação (EV/EBITDA 2025) - 80% superior ao múltiplo da aquisição da EasyJet pela Apollo (3,6x). 
➢ Estado como 2.º maior acionista da entidade conjunta, equivalente a 5% da entidade conjunta (488 M€ em permuta de ações). 
➢ Crescimento da frota para 117 aeronaves até 2035, 130 após 2035 (+3 a 4 mil M€ de investimento em frota na TAP). 
➢ Até 8 Airbus A350-900 transferidos para a TAP após 2030. 
➢ Investimento de cerca de 300M€ e 700 postos trabalho em Santa Maria da Feira na área de manutenção e engenharia e investimento adicional numa escola aeronáutica em Tancos. 
➢ 5 de 9 administradores do CA, incluindo Presidente nomeados pelo Estado português. 
➢ 3 administradores executivos nomeados pela Lufthansa e 1 indicado pelo Estado português.

A operação de privatização da TAP em 11 pontos 

1. Governo seleciona a Lufthansa para a aquisição de 44,9% do capital social da TAP, o qual acresce até 5% caso os trabalhadores não exerçam o seu direito de aquisição.  
a. O Estado mantém 50,1% do capital, preservando o controlo da companhia e potencial valorização futura da sua participação. 

2. Decisão final entre Air France-KLM e Lufthansa recaiu sobre a proposta financeiramente mais robusta e com menor grau de incerteza apresentada pela Lufthansa.  
a. A avaliação das propostas teve por base 3 critérios chave:  
i. proposta técnica;  
ii. condições contratuais; 
iii. oferta financeira. 
b. Ambos os candidatos apresentaram propostas consideravelmente melhoradas durante a fase final de negociação. 
c.  Neste contexto, e com propostas técnicas e condições semelhantes, a escolha recaiu na proposta da Lufthansa que apresentou não só uma proposta financeira superior, mas também sem incerteza. 

3. O valor total da operação, incluindo os 5% reservados aos trabalhadores, corresponde a 1 201M€. 
a. A proposta da Lufthansa é até 16% superior à apresentada pela Air France/KLM. 

4. Ambos os candidatos apresentaram propostas para a aquisição da maioria do capital superiores às avaliações independentes realizadas desde 2023: 
a. Avaliações de 2023 entre 700 e 1700 M€ - um aumento entre 50% a mais de 200% 
b. A valorização deve-se: 
• Novo modelo gestionário, separação Chairman e Comissão Executiva; 
• Comissão executiva da TAP com independência de gestão;  
• Finalização, com sucesso, do plano de restruturação; 
• Decisão sobre novo aeroporto Luís de Camões; 
• Regras claras para privatização;
• TAP com 4 anos seguidos de lucro. 

5. Integração na Lufthansa salvaguarda os interesses estratégicos nacionais e garante as condições necessárias para o crescimento sustentável da TAP: 
a. Manutenção da marca TAP, sede e robustecimento do hub em Lisboa; 
b. Reforço no Aeroporto Francisco Sá Carneiro com 8 aeronaves baseadas; 
c. Salvaguarda da ligação às ilhas; 
d. Reforço da presença na América Latina – 20% quota de passageiros da entidade conjunta; 
e. Modernização e aumento da frota TAP – até 130 aeronaves (representando 3-4 mil M€ investimento) e possibilidade de transferência de 8 aeronaves A350-900. 

6. Integração no Grupo Lufthansa coloca a TAP numa plataforma global. Grupo TAP + Lufthansa: 
a. Receitas: Maior grupo europeu e 4.º maior a nível global; 
b. Passageiros: 2.º maior a nível europeu e 6.º maior a nível global; 
c. Aeronaves: Maior grupo europeu e 6.º maior a nível global. 

7. Operação é o culminar de uma estratégia para a aviação portuguesa assente em três pilares:  
a. a definição de uma visão integrada para o setor; 
b. um processo competitivo desenhado para maximizar a concorrência; 
c. a preparação da TAP para o mercado após a conclusão do plano de reestruturação. 

8. Proposta da Lufthansa para a maioria do capital resulta numa valorização total direta da companhia em 2 552M€. 
a. Oferta da segunda fase inclui 488 M€ de permuta de ações, o que posiciona o Estado Português como o segundo maior acionista da empresa conjunta (~5%). 
b. “com a segunda fase da privatização o Estado Português vende a TAP e passa a segundo maior acionista da maior companhia aérea europeia”. 

9. A recuperação do investimento realizado pelo Estado (3,2 mil M€) poderá ser alcançada na eventual segunda fase, suportada pela valorização futura da participação remanescente e pela distribuição de dividendos. 

10. A proposta da Lufthansa avalia a TAP num múltiplo EV/EBITDA (dados 2025), que compara o valor total da empresa com o EBITDA, cerca de 80% superior ao da 
aquisição da easyJet pela Apollo.  

11. Preparação do processo para venda da maioria do capital (2ª fase) a lançar a breve trecho com o fecho da operação esperado até ao início de 2028. 

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