Investimento na ferrovia é estratégico e estrutural

Unidade da Alstom em Guifões integra o maior investimento de sempre em material circulante e prevê 300 empregos diretos

Cerimónia de lançamento da futura fábrica da Alstom, que decorreu no dia 30 de junho, no Parque Oficinal de Guifões, em Matosinhos. (SG Gov, Maria Costa Lopes)

O investimento na ferrovia é “estratégico” e “estrutural” para a economia, a mobilidade e o bem-estar do país, assegurou o Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, na cerimónia de lançamento da futura fábrica da Alstom, que decorreu no dia 30 de junho, no Parque Oficinal de Guifões, em Matosinhos.

Na intervenção, o Primeiro-Ministro destacou que o Governo tem “uma especial ligação” à ferrovia e defendeu que a rede ferroviária aproxima “terras”, “regiões” e pessoas. “Nós queremos ter melhor oferta, linhas e operação a funcionar a tempo e horas, com qualidade, com comodidade, mas quanto mais pessoas tivermos, quanto mais utilizadores tivermos, maior sustentabilidade também teremos para a operação”, afirmou.

Luís Montenegro referiu ainda que a aposta na ferrovia abrange também o transporte de mercadorias, com impacto direto na economia, e integra um conjunto mais alargado de investimentos públicos na ferrovia. Entre estes, está o Passe Ferroviário Verde e que já registou mais de um milhão de assinaturas e permitiu reduzir em cerca de 90% a despesa de mobilidade ferroviária de alguns utilizadores.

Também foram destacados os investimentos na linha de alta velocidade, nas ligações Lisboa-Porto e Lisboa-Madrid, e na terceira travessia sobre o Tejo, articulada com a rede ferroviária e com a futura infraestrutura aeroportuária de Lisboa.

A CP — Comboios de Portugal foi apontada pelo Primeiro-Ministro como “eixo fundamental” e “trave-mestra do sistema”. Luís Montenegro afirmou que a empresa tem um papel central na qualidade de vida, na sustentabilidade ambiental e na igualdade de oportunidades, ao permitir que as pessoas cheguem mais rapidamente aos locais onde precisam de estar.

Luís Montenegro afirmou que o Governo defende “um mercado cada vez mais livre” e “liberalizado”, mas sublinhou que o interesse público deve prevalecer. Nesse sentido, apontou a necessidade de combater a burocracia, alterar regras da contratação pública e criar instrumentos que permitam compensar danos sem paralisar projetos essenciais para o país.

Nova fábrica da Alstom em Guifões

A cerimónia marcou o lançamento da primeira pedra da futura fábrica de comboios da Alstom em Guifões, em parceria com a empresa DST. A unidade terá 20 000 metros quadrados, deverá estar concluída em 2028 e deverá produzir o primeiro comboio em Portugal em 2029. O projeto prevê a criação de 300 postos de trabalho diretos e cerca de 1 000 empregos indiretos.

A nova unidade deverá produzir 81 automotoras para as linhas suburbanas da CP, no âmbito do contrato de aquisição de 153 comboios à Alstom, que inclui 117 comboios do contrato-base e 36 adicionais. O investimento total é de 1 064 milhões de euros, o maior de sempre em material circulante ferroviário em Portugal.

Para o Primeiro-Ministro, esta é uma obra “estruturante e estratégica” para o país, por permitir acelerar a construção dos comboios necessários à rede ferroviária e por deixar instalada capacidade industrial para o futuro. Luís Montenegro destacou ainda o reforço do corpo técnico, da inovação, da ligação à academia e da aposta no ensino profissional.

A futura fábrica deverá reforçar o setor ferroviário nacional, criar oportunidades na cadeia industrial e aumentar a capacidade instalada em Portugal para produzir, manter e desenvolver material circulante ferroviário.