Intervenção do Primeiro-Ministro na Bolsa de Nova Iorque (NYSE)
Portugal apresenta-se na bolsa de Nova Iorque como destino de investimento
Primeiro-Ministro destaca solidez da economia portuguesa e potencial de reforço das relações económicas com os Estados Unidos

Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, na bolsa de valores de Nova Iorque, Estados Unidos da América, 22 setembro 2026 (Gonçalo Borges Dias/GPM)
Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, na bolsa de valores de Nova Iorque, Estados Unidos da América, 22 setembro 2026 (Gonçalo Borges Dias/GPM)
O Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, apresentou hoje Portugal como um destino atrativo para o investimento norte-americano, destacando a solidez das finanças públicas, o crescimento económico, a redução da dívida e as reformas em curso para reforçar a competitividade do país.
“A principal mensagem que gostaria de partilhar convosco hoje é que Portugal está aberto aos vossos investimentos e aos vossos negócios”, afirmou Luís Montenegro, na bolsa de valores de Nova Iorque, onde participou na cerimónia de encerramento da sessão.
O Primeiro-Ministro destacou a crescente importância das relações económicas entre Portugal e os Estados Unidos, sublinhando que os dois países têm uma relação que ultrapassa os laços políticos e humanos e que está sustentada em “profundos laços económicos”.
Os Estados Unidos são atualmente o sétimo maior investidor em Portugal, enquanto um número crescente de empresas portuguesas investe no mercado norte-americano, nomeadamente nos setores da energia e da indústria farmacêutica.
Também as relações comerciais têm vindo a reforçar-se. Os Estados Unidos são o quarto maior cliente de Portugal e um dos seus principais fornecedores. Em 2025, representaram 5,8% das exportações portuguesas de mercadorias, no valor de 4,6 mil milhões de euros, e 2,1% das importações, correspondentes a 2,4 mil milhões de euros.
A aproximação entre os dois países traduz-se também no aumento da presença norte-americana em Portugal. Entre 2023 e 2025, o número de cidadãos dos Estados Unidos residentes no país cresceu 38%, para cerca de 21 mil. No último ano, o turismo norte-americano em Portugal aumentou 8%.
Solidez económica reforça atratividade de Portugal
Perante investidores e representantes do mercado financeiro, Luís Montenegro destacou a evolução das finanças públicas e da economia portuguesa como fatores de confiança para quem investe no país.
O Primeiro-Ministro recordou a distinção atribuída pela revista The Economist, que elegeu Portugal como “Economia do Ano” em 2025, associando esse reconhecimento à consolidação das contas públicas e à transformação da economia para um modelo assente numa maior competitividade.
“Não foi resultado de uma única conquista, mas do nosso trabalho contínuo em várias frentes”, afirmou.
Luís Montenegro destacou o equilíbrio das contas públicas, salientando que Portugal deverá registar um excedente orçamental pelo quarto ano consecutivo, e sublinhou a trajetória de redução da dívida pública.
O desempenho das finanças públicas tem sido acompanhado pelas agências de notação financeira. A Fitch elevou recentemente o rating da República Portuguesa de A para A+, naquela que foi, segundo o Primeiro-Ministro, a quarta subida da classificação de Portugal em apenas dois anos.
O Primeiro-Ministro destacou ainda as perspetivas de crescimento económico acima da média da Zona Euro, num contexto de inflação controlada. Segundo a previsão da Fitch referida por Luís Montenegro, a economia portuguesa deverá crescer 2,1% este ano, com o investimento a constituir o principal motor do crescimento.
Redução de impostos e reforma do Estado
A trajetória de redução dos impostos sobre o rendimento das pessoas e das empresas foi igualmente apontada como parte da estratégia económica do país.
Luís Montenegro destacou, em paralelo, o processo de reforma do Estado, com particular incidência na digitalização dos serviços públicos, na redução da burocracia e na simplificação dos procedimentos.
O objetivo, afirmou, é criar melhores condições para a atividade económica e para o investimento, reduzindo os custos de contexto e tornando Portugal mais competitivo.
O Primeiro-Ministro destacou ainda a estabilidade política, financeira e social do país e o papel de Portugal na transição energética. Em 2025, 75% da eletricidade produzida em Portugal teve origem em fontes renováveis.
Localização e língua portuguesa reforçam ligação aos mercados
A posição geográfica de Portugal foi também apresentada como uma vantagem para os investidores, pela ligação do país aos mercados europeu, norte-americano, sul-americano e africano.
Luís Montenegro sublinhou igualmente a dimensão internacional da língua portuguesa, falada por mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo e com particular expressão no hemisfério sul.
Para o Primeiro-Ministro, a relação transatlântica constitui uma dimensão estruturante da posição internacional de Portugal.
“Somos amigos e parceiros dos Estados Unidos”, salientou, destacando os laços históricos entre os dois países e defendendo o reforço de uma relação económica com potencial para continuar a crescer.
Microsoft prevê investimento de mais de 10 mil milhões de dólares
Como exemplo do potencial de investimento norte-americano em Portugal, Luís Montenegro referiu o plano da Microsoft para investir mais de 10 mil milhões de dólares no país nos próximos anos.
“Este é precisamente o caminho que queremos prosseguir, rumo a um crescimento cada vez maior e a uma prosperidade partilhada”, afirmou.
O Primeiro-Ministro terminou a intervenção com um convite aos investidores norte-americanos para apostarem em Portugal: “estamos à vossa espera em Portugal, para os vossos investimentos”.
A presença na bolsa de valores de Nova Iorque marcou o início da deslocação de três dias de Luís Montenegro aos Estados Unidos, que inclui a participação na 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas.