Portugal assume presidência dos países do sul da Europa com foco na segurança coletiva

Na cimeira do MED9, Luís Montenegro destacou o reforço da segurança, um orçamento europeu ambicioso e a estabilidade no Médio Oriente

Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, na conferência de imprensa dos Chefes de Estado e de Governo que encerrou a cimeira MED9, 7 outubro 2026, Split, Croácia (Gonçalo Borges Dias/GPM)

Portugal assumirá, em 2027, a presidência dos países do sul da União Europeia (MED9), com o foco na segurança coletiva "em todas as suas dimensões", afirmou o Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, na conferência de imprensa dos Chefes de Estado e de Governo que encerrou a Cimeira, esta quarta-feira, 7 de outubro, em Split, na Croácia.

"Será a prioridade da nossa presidência, da nossa coordenação deste grupo, termos a ambição de colocar os nossos países, este encontro de países do Sul da Europa no reforço da segurança em sentido amplo", afirmou.

Entre as prioridades identificadas pelo Primeiro-Ministro estão também um orçamento europeu ambicioso, que proteja as políticas agrícola e de coesão e promova a competitividade da economia europeia, o reforço da parceria com os países do Mediterrâneo e a resposta aos conflitos no Médio Oriente.

Segurança coletiva em várias dimensões

Luís Montenegro destacou a interligação entre segurança energética, contexto geopolítico, migrações, competitividade económica e resiliência perante fenómenos climáticos extremos.

"Não podemos reforçar a nossa segurança energética sem ter em conta o contexto geopolítico", afirmou, sublinhando igualmente a necessidade de estabilidade na vizinhança europeia para responder aos fluxos migratórios.

A futura presidência portuguesa deverá abranger a segurança dos cidadãos e das infraestruturas, em particular das infraestruturas críticas e de comunicação, bem como a segurança energética, marítima, alimentar e tecnológica.

O Primeiro-Ministro apontou ainda a necessidade de concretizar as interligações energéticas e reforçar a capacidade de resposta perante incêndios, cheias, secas e outros fenómenos climáticos extremos.
"Não podemos tornar-nos mais resilientes sem reforçarmos a nossa preparação e capacidade de resposta", salientou.

Cooperação no Mediterrâneo e resposta aos desafios europeus

A cimeira dos países do sul da União Europeia confirmou a convergência dos nove Estados em torno de prioridades comuns, nomeadamente o próximo Quadro Financeiro Plurianual da União Europeia, a cooperação com os países do Mediterrâneo e a situação no Médio Oriente.

Os líderes defenderam uma ação coordenada perante um contexto geopolítico cada vez mais complexo, com o reforço da resiliência, da segurança e da sustentabilidade do Mediterrâneo e da União Europeia.

Luís Montenegro destacou ainda o impacto da instabilidade no Médio Oriente no custo de vida e nos preços da energia, sublinhando a necessidade de ultrapassar a atual crise energética.

A cimeira de Split marcou o final da presidência croata do MED9. Portugal assumirá a presidência do grupo em 2027 e deverá organizar a próxima Cimeira de Chefes de Estado ou de Governo.

Criado em 2013, o MED9 reúne Portugal, Croácia, Chipre, França, Grécia, Itália, Malta, Eslovénia e Espanha.


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