Portugal quer Conselho de Segurança das Nações Unidas atento a todas as crises

Audição destacou visibilidade a conflitos prolongados fora da agenda mediática e defesa do multilateralismo

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, durante a sua audição na Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, sobre as divergências relativas à utilização da Base das Lajes, na Assembleia da República, em Lisboa, 17 de junho de 2026. (André Dias Nobre / GMNE)

Portugal vai defender uma agenda internacional que dê atenção também aos conflitos menos mediatizados no Conselho de Segurança das Nações Unidas, declarou o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, na Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas da Assembleia da República, no dia 17 de junho.

“Não há conflitos de primeiro e de segundo nível. Uns criam tantos danos humanitários como os outros, mas estão na sombra”, afirmou Paulo Rangel, indicando que esta será uma das prioridades da participação portuguesa no Conselho de Segurança das Nações Unidas no biénio 2027-2028.

A posição foi assumida durante a audição regimental na qual o Governo apresentou as principais linhas da política externa portuguesa, com destaque para o Médio Oriente, a Ucrânia, o multilateralismo e o próximo mandato português no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Portugal foi eleito, em 3 de junho, membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Na audição parlamentar, o Ministro considerou que esta eleição confirma a credibilidade externa de Portugal e reforça a responsabilidade do país na defesa do multilateralismo, da mediação diplomática e da atenção a crises menos visíveis.

Atenção a todas as crises internacionais

Os conflitos no Médio Oriente e na Ucrânia concentram grande parte da atenção internacional, mas continuam a existir crises graves em países como Sudão, República Democrática do Congo, Haiti e Myanmar. O Ministro defendeu que o Conselho de Segurança das Nações Unidas deve manter capacidade de intervenção e mediação também nestes contextos, para evitar que crises prolongadas fiquem afastadas da agenda internacional.

Sobre o Médio Oriente, Paulo Rangel defendeu que “a União Europeia devia ser mais firme”, e que “temos alguma capacidade de pressão sobre Israel e, se não a usamos, isso será visto como indiferença”, acrescentando que a radicalização em curso pode pôr em causa equilíbrios frágeis na região.

O Ministro manifestou ainda preocupação com a situação na Cisjordânia, em Jerusalém Oriental, no Líbano e em Gaza, onde permanece o impasse humanitário. O Ministro defendeu contenção e moderação, incluindo no Líbano, para que possam prosseguir os esforços diplomáticos em curso.

Defesa do multilateralismo

Na audição, o Ministro reafirmou que Portugal continuará a defender uma política externa assente no direito internacional, na Carta das Nações Unidas e na procura de soluções diplomáticas para os conflitos.

O próximo mandato no Conselho de Segurança das Nações Unidas será, segundo Paulo Rangel, uma oportunidade para Portugal contribuir para uma agenda internacional mais equilibrada, que responda às crises de maior visibilidade, mas também aos conflitos que afetam milhões de pessoas longe do centro da atenção mediática.