Portugal reforça compromisso com a Comunidade Ibero-Americana e duplica contribuição anual
O Primeiro-Ministro reafirmou em Madrid o compromisso de Portugal em construir uma comunidade mais forte

Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, com o Presidente da República, António José Seguro e o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, na 30ª Cimeira Ibero-Americana. Madrid. 5 de novembro de 2026 (André Crispim)
Primeiro-Ministro, Presidente da República e Ministro dos Negócios Estrangeiros na Cimeira Ibero-Americana.
O Primeiro-Ministro, Luís Montenegro reforçou esta quinta-feira, na sessão plenária da 30.ª Cimeira Ibero-Americana, que se realizou em Madrid, a disponibilidade de Portugal para assumir a Secretaria-Geral da Cimeira Ibero-Americana no mandato de 2029-2030.
“Estamos absolutamente empenhados e comprometidos convosco em construir uma comunidade mais forte, mais dinâmica e com melhores resultados”, afirmou o Primeiro-Ministro, que acrescentou que Portugal vai duplicar a contribuição anual para o funcionamento da entidade que coordena o funcionamento desta comunidade de 22 países.
Na mesma ocasião, o Primeiro-Ministro agradeceu o apoio destes países à candidatura de Portugal a um dos lugares como membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, reiterando a disponibilidade para, a partir de janeiro do próximo ano, reforçar e aprofundar o diálogo.
Luís Montenegro defendeu que “estes 35 anos de comunidade e estas 30 cimeiras organizadas desde 1991, comprovam duas evidências, o muito que nos une e o muito caminho que temos ainda a percorrer em conjunto no futuro.”
Destacando a dimensão económica dos países que compõem a comunidade, lembrou que “juntos, representamos mais de 8,5% do PIB mundial e quase 9% da população de todo o mundo”. Sublinhou ainda que a parte europeia desta comunidade, Portugal e Espanha, integram um mercado único de cerca de 450 milhões de pessoas. Enquanto na América Latina “são também muitos os benefícios da integração regional”. “É, portanto, fácil de concluir que temos muito a ganhar com uma maior proximidade política, mas também económica”, concluiu.
No plano digital, o Primeiro-Ministro recorda que Portugal é hoje um elo essencial na conectividade entre as duas margens do Atlântico, através dos cabos submarinos “que partem do nosso território e que garantem uma ligação essencial entre os nossos países — e não apenas os entre nossos países na dimensão da América Latina do continente americano com a Europa — mas também da interligação que através desta ligação fazemos com África e outras geografias”.
Segundo Luís Montenegro, a esta infraestrutura “devemos juntar também uma maior aproximação entre a União Europeia e a comunidade de países da América Latina, os acordos com o Mercosul com o México com o Chile e com a Comunidade Andina que abrem novas oportunidades que devemos potenciar”.
O Primeiro-Ministro realçou também a defesa de um trabalho conjunto com África, dando como exemplo o lançamento da segunda edição do fundo cooperação América Latina-Portugal-África, com uma dotação de um milhão de euros: “a nossa cooperação prática abre múltiplas oportunidades e não há dúvida de que a nossa comunidade acrescenta valor”.
Apoio conjunto contra eventos climáticos extremos
A cooperação ibero-americana deverá ser também continuar a ser reforçada na resposta às consequências dos eventos climáticos extremos que afetaram os países da comunidade nos últimos tempos, em relação os quais se deverá “criar sinergias”.
Luís Montenegro lembrou não apenas “os terríveis terremotos que assolaram a Venezuela e a Colômbia, a quem renovámos toda a nossa solidariedade e plena disponibilidade para colaborar na tarefa de reconstrução”; mas também“ as experiências trágicas que vivemos do lado de cá do Atlântico, no início deste ano, com um comboio de tempestades que assolou particularmente Portugal, o centro do país, mas também Espanha”.
Para o Primeiro-Ministro “tudo isto é motivo mais do que suficiente para que nos juntemos e possamos cooperar também no domínio da Proteção Civil”, que tem vindo a desenvolver instrumentos para antecipar crises, reduzir os riscos e reforçar a entreajuda quando é necessário, no âmbito da Rede Ibero-Americana de Redução do Risco de Desastres e Proteção Civil, proposta por Portugal, um dos cinco grandes resultados da 30.ª Cimeira Ibero-Americana
Uma comunidade com resultados
Luís Montenegro referiu ainda que é importante “concentrarmo-nos no concreto, naquilo que faz verdadeiramente a diferença, naquilo que justificou a criação desta comunidade”. Uma comunidade de diálogo político, mas também uma comunidade “de concertação, mas também uma comunidade com resultados concretos, sentidos pelas nossas populações, desde a mobilidade académica ao domínio da inteligência artificial”.
O Primeiro-Ministro e o Presidente da República concluíram hoje a participação na 30.ª Cimeira Ibero-Americana, em Espanha. Estas cimeiras realizam-se de dois em dois anos, juntando países dos dois lados do Atlântico.