Reforço das conservatórias, modernização da Justiça e melhoria da segurança prisional
Ministra da Justiça faz balanço de seis meses de aplicação do programa do Governo

Ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, na Assembleia da República, 20 janeiro 2026 (Mariana Branco)
Ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, na Assembleia da República, 20 janeiro 2026 (Mariana Branco)
A Ministra da Justiça apresentou à Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias da Assembleia da República o balanço dos primeiros seis meses de execução do Programa do Governo, destacando os avanços significativos na valorização das carreiras da Justiça, no reforço do Instituto dos Registos e do Notariado (IRN), na modernização tecnológica do sistema judicial e na melhoria das infraestruturas e da segurança nos estabelecimentos prisionais.
No plano legislativo, sublinhou o trabalho desenvolvido em articulação com a Assembleia da República, que permitiu a aprovação de vários diplomas estruturantes, bem como a entrada recente de quatro propostas de lei para combate à criminalidade violenta e à corrupção, reforço da celeridade do processo penal e melhoria das respostas na violência doméstica e nos crimes sexuais contra menores.
Rita Alarcão Júdice sublinhou o reforço das conservatórias com a entrada ao serviço de 763 novos profissionais – 158 conservadores e 605 oficiais de registo –, para responder aos constrangimentos acumulados no IRN.
A Ministra sublinhou que se trata de uma carreira envelhecida, fortemente pressionada pelas aposentações, pois em 2024, 70% dos trabalhadores tinha 55 ou mais anos e que, nos últimos dois anos, aposentaram-se mais de 500 funcionários.
Reconhecendo as dificuldades nas negociações com os sindicatos dos registos, reafirmou o compromisso do Governo com a revisão das carreiras, sublinhando que o interesse público não pode ficar refém de bloqueios e que as medidas de reestruturação avançarão mesmo sem acordo.
Foram igualmente destacados os progressos na valorização de outras carreiras, incluindo a revisão do Estatuto dos Funcionários de Justiça, a criação e valorização das carreiras de reintegração social, as promoções e alterações estatutárias no Corpo da Guarda Prisional e o reforço do recrutamento e da capacitação na Polícia Judiciária e no Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses.
Na área da modernização tecnológica, a Ministra salientou os investimentos realizados ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência, que permitiram a aquisição de milhares de equipamentos informáticos, o reforço da cibersegurança, a generalização da gravação audiovisual em tribunais e estabelecimentos prisionais, e avanços determinantes na transformação digital da Justiça.
Estes investimentos já se refletem em resultados concretos, com a redução de cerca de 20% dos processos pendentes nos tribunais judiciais de 1.ª instância face ao período pré-pandemia, bem como na diminuição da duração média dos processos cíveis e penais.
Ao nível das infraestruturas, Rita Alarcão Júdice destacou os mais de 10,5 milhões de euros já investidos em projetos e obras desde 2024 e intervenções em curso superiores a 37 milhões de euros.
No sistema prisional, foram concluídas várias intervenções de reforço da segurança, incluindo a melhoria de gradeamentos, vedações e iluminação em dezenas de estabelecimentos, o reforço dos sistemas de videovigilância, a instalação de novos equipamentos de raio-x e de pórticos de segurança, bem como obras destinadas a melhorar as condições de alojamento e dignidade das pessoas privadas da liberdade.