Salários crescem acima da inflação e emprego chega aos 5,3 milhões

Relatório confirma recuperação do poder de compra e identifica produtividade como desafio à convergência económica com a UE

Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Rosário Palma Ramalho, na apresentação do Relatório sobre Emprego e Formação – 2025, Lisboa, 21 de julho de 2026 (MTSSS)

Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Rosário Palma Ramalho, na apresentação do Relatório sobre Emprego e Formação – 2025, Lisboa, 21 de julho de 2026 (MTSSS)

A Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Rosário Palma Ramalho, apresentou esta terça-feira, 21 de julho de 2026, em Lisboa, o “Relatório sobre Emprego e Formação – 2025”. Este relatório mostra que os salários dos portugueses cresceram acima da inflação em 2025 e o desemprego desceu para 6%, com 5,275 milhões de pessoas empregadas.
 
O relatório confirma a recuperação do poder de compra médio, mas identifica a produtividade como o principal desafio à convergência económica de Portugal com a UE, tendo a produtividade por trabalhador permanecido praticamente estagnada.
 
Salários recuperam poder de compra
 
As remunerações por trabalhador aumentaram 4,8% em termos nominais, enquanto a inflação se fixou nos 2,2%. Os salários cresceram, assim, acima da subida média dos preços, o que representa uma recuperação do poder de compra médio.

O total das remunerações do trabalho, incluindo as contribuições sociais a cargo das entidades empregadoras, correspondeu a 48,1% do Produto Interno Bruto (PIB), valor já alinhado com a referência da União Europeia.

Produtividade continua praticamente estagnada

O crescimento das remunerações e do emprego não foi acompanhado por uma evolução equivalente da produtividade. Em 2025, a produtividade aparente do trabalho permaneceu praticamente estagnada, tanto por trabalhador como por hora trabalhada.

Em sentido positivo, a produtividade total dos fatores, que mede ganhos relacionados com a eficiência, a inovação tecnológica e a organização produtiva, manteve a trajetória de recuperação iniciada após a pandemia.

População ativa atinge 5,61 milhões

A população ativa aumentou 2,7% e atingiu 5,612 milhões de pessoas. A taxa de atividade da população com 16 ou mais anos subiu 0,8 pontos percentuais, para 61%.
 
O número de pessoas empregadas cresceu 3,2%, para 5,275 milhões. A taxa de emprego aumentou 0,9 pontos percentuais e fixou-se em 57,3%.

Participação das pessoas com mais de 55 anos aumenta

O relatório destaca o aumento da participação das pessoas com mais de 55 anos no mercado de trabalho, evolução que sugere um prolongamento da vida profissional.

A população ativa entre os 55 e os 64 anos cresceu 3,3%. Entre as pessoas com 65 ou mais anos, o aumento foi de 6,4%. A taxa de emprego das pessoas entre os 55 e os 64 anos também subiu 1,9 pontos percentuais, para 69,5%.

Estes dados mostram uma participação crescente das pessoas mais velhas na atividade económica, um fator importante para o envelhecimento ativo.
 
Desemprego desce para 6%

A taxa de desemprego caiu 0,4 pontos percentuais e fixou-se em 6%, valor igual à média União Europeia. A população desempregada diminuiu 4%, para cerca de 337 mil pessoas.

Apesar da melhoria global, o desemprego jovem continua elevado. Entre as pessoas dos 16 aos 24 anos, a taxa de desemprego situou-se em 19,5%, embora tenha diminuído 2,1 pontos percentuais face a 2024.

Indicadores dos jovens com melhores resultados que a média europeia

Portugal apresenta resultados mais favoráveis do que a média da União Europeia em dois indicadores relacionados com a educação, a formação e a integração das pessoas jovens.
 
A taxa de abandono precoce da educação e formação foi de 6,1% em Portugal, abaixo dos 9,1% registados na União Europeia.

Também a percentagem de jovens entre os 15 e os 29 anos que não trabalham, não estudam nem frequentam formação permaneceu abaixo da média europeia. Este grupo representava cerca de 8% da população jovem em Portugal, face a 11% na União Europeia.

Microempresas representam 81,3% do tecido empresarial

A estrutura empresarial portuguesa continua marcada pelo predomínio das empresas de menor dimensão. De acordo com os dados mais recentes, relativos a 2024, 81,3% das empresas tinham até nove trabalhadores.

As empresas com 10 a 49 trabalhadores representavam 15,5% do total. Apenas 3,3% tinham 50 ou mais trabalhadores. Este fator constitui um elemento central para compreender a estrutura do emprego e os desafios associados ao crescimento da produtividade.

O Relatório sobre Emprego e Formação – 2025, elaborado pelo Centro de Relações Laborais, o relatório analisa as principais dinâmicas económicas, laborais, empresariais e formativas. A apresentação pública do relatório decorreu no Salão Nobre do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, na Praça de Londres, em Lisboa.