TAP: Primeiro-Ministro promete parceria “leal e exigente” com a Lufthansa
Privatização defende interesse estratégico do país, identidade da TAP e compromissos com trabalhadores

Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, na assinatura do contrato com a Lufthansa, 3 novembro 2026 (Gonçalo Borges Dias/GPM)
Primeiro-Ministro discursa num hangar, perante uma plateia, com um avião da TAP ao fundo
A parceria com a Lufthansa visa assegurar o futuro da TAP como companhia aérea portuguesa, com a manutenção da marca, da identidade e das ligações estratégicas para o país, afirmou o Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, na formalização do acordo de privatização de parte do capital da empresa.
“O país dá hoje um passo extremamente importante para garantir que vamos continuar a ter uma companhia aérea portuguesa”, declarou. O Primeiro-Ministro destacou o papel da TAP como instrumento de coesão social e de ligação entre os interesses dos cidadãos e da economia.
“Nós seremos, todos nós, cada um à escala das suas responsabilidades, um parceiro leal e um parceiro exigente”, afirmou, com o compromisso de cumprir os objetivos comuns e exigir o mesmo empenho na sua concretização.
Identidade portuguesa e ligações estratégicas
Luís Montenegro sublinhou que o processo teve condições claras desde o início: a defesa do interesse estratégico de Portugal, a manutenção da marca e da identidade TAP e a preservação do centro de ligações aéreas em Lisboa, sem perder a capacidade e o potencial dos restantes aeroportos do país.
“Falamos do Porto, como ainda há pouco aqui foi destacado, falamos de Faro, falamos dos Açores e falamos da Madeira”, enumerou.
A ligação às regiões autónomas, às comunidades portuguesas no estrangeiro e aos países de língua portuguesa constitui uma das principais vantagens da companhia e uma oportunidade para a Lufthansa. “É uma mais-valia da TAP. Não é um encargo, ao contrário daquilo que se possa pensar”, salientou.
O acordo prevê a alienação de 44,9% do capital da TAP. Os 5% remanescentes, até perfazer 49,9%, poderão ser adquiridos pelos trabalhadores ou pela própria Lufthansa. O Estado mantém, nesta fase, 50,1% do capital.
A salvaguarda da paz social interna e dos compromissos com os trabalhadores foi outra das condições do processo, recordou o Primeiro-Ministro.
Parceria reforça sustentabilidade da TAP e salvaguarda interesse nacional
Na sua intervenção, o Primeiro-Ministro destacou ainda a importância da decisão para os trabalhadores e para as finanças públicas, com o objetivo de garantir a sustentabilidade da companhia a médio e longo prazo.
“Não desconhecemos o trauma que a sociedade portuguesa tem com as sucessivas injeções de capital nesta companhia sem que os seus problemas estruturais e a sua sustentabilidade de médio e longo prazo fossem garantidos”, afirmou.
Ressalvou, contudo, que os objetivos financeiros não estiveram à frente dos restantes interesses do país.
“Nós não tivemos nenhum capricho ideológico, nós não tivemos nenhum capricho político, nós estamos aqui mesmo a pensar no interesse do país”, declarou.
A parceria com a Lufthansa e com a Alemanha foi apresentada como uma oportunidade para reforçar a companhia, garantir rotas e melhorar a qualidade e a pontualidade das operações, com benefícios para a economia e para a qualidade de vida.
Mais frota e acesso a mercados
A integração da TAP no maior grupo de aviação europeu e no quarto maior à escala global em receita abre perspetivas de reforço da frota e de aproveitamento das ligações da companhia, destacou ainda o chefe do Governo. As ligações aos Estados Unidos da América e ao Brasil são exemplos do potencial da TAP e da procura que acompanha a abertura de novas rotas.
A parceria com a Lufthansa permitirá reforçar a frota da TAP, atualmente com 99 aeronaves, com mais aviões de longo curso e ultrapassar a barreira dos três dígitos para aproveitar ainda mais as conquistas de mercado, afirmou o Primeiro-Ministro.
A complementaridade entre as duas empresas permitirá ao grupo aumentar de 9% para 20% a sua representação no mercado da América Latina, com oportunidades de crescimento em África e na América do Norte.
Sobre o valor da operação, rejeitou que fosse exagerado e considerou-o justo. “Era um valor justo porque a companhia sofreu nos últimos tempos, em particular nos últimos dois, três anos, um processo de reestruturação e de gestão especialmente competentes”. A valorização da TAP reflete também os investimentos em Portugal e o potencial das ligações da companhia.
Investimento industrial, formação e inovação
A parceria com a Lufthansa vai além da operação da TAP e abrange projetos na indústria aeronáutica, na formação e na inovação.
O projeto em desenvolvimento em Santa Maria da Feira cria oportunidades de emprego qualificado, gera valor para a economia e reforça o setor aeronáutico em Portugal.
A nova escola de pilotos em Tancos contribuirá para a coesão territorial, o aproveitamento de infraestruturas e a criação de emprego. O projeto reforçará também a ligação entre a aviação comercial e as oportunidades da indústria de defesa.
Estão ainda criadas as bases para um centro de inovação da Lufthansa em Aveiro e para um centro de serviços.
Estes projetos acompanham o investimento no novo Aeroporto Internacional de Lisboa Luís de Camões e no desenvolvimento dos aeroportos do Porto, de Faro e das regiões autónomas. E integram uma aposta mais ampla na mobilidade aérea e ferroviária, nos transportes públicos e no alargamento da capacidade dos portos, destacou o Primeiro-Ministro.