Ministro da Cultura lamenta a morte de Helena Almeida

O Ministro da Cultura, Luís Filipe de Castro Mendes, lamenta profundamente a morte de Helena Almeida.

Consagrada artista plástica, nacional e internacionalmente, Helena Almeida contactou desde cedo com o universo artístico. Estudou Pintura na Escola Superior de Belas Artes, em Lisboa, foi bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian em Paris e, em 1967, fez a sua primeira exposição individual de pintura na Galeria Buchholz.

A sua reflexão sobre o suporte da arte é já visível nesta primeira exposição, gesto que se prolongou ao longo dos mais de 50 anos de carreira artística. Helena Almeida soube romper com os limites físicos da pintura, confinada à tela, emprestando-lhe uma densidade que transgredia as fronteiras rígidas desse espaço altamente simbólico.

A singularidade do seu olhar sobre a criação e o processo artístico sustenta-se ainda num comprometimento direto com o seu próprio corpo, exposto na dupla condição biográfica e ficcional. De certo modo, na sua relação com o corpo, Helena Almeida fixava também um olhar sobre a mulher através da história da arte, e em particular na história da arte portuguesa, procurando inscrever uma memória que antecedia e prolongava o que nela escolhia fixar.

O uso da fotografia, que se tornou o centro da sua expressão artística a partir dos anos 1990, vincará ainda uma preocupação com a passagem do tempo, expressa num trabalho onde o corpo passa a ser a primeira tela a ser habitada. Os vários processos de apagamento e descoberta a que sujeitava a tela e a imagem nela impressa, ampliam uma visão sobre o objeto artístico enquanto obra em contínuo processo de construção.

Presente nas mais importantes coleções públicas e privadas, o seu trabalho nunca deixou de ser estudado, exposto e considerado com um dos mais importantes do século XX português, assim provam as várias exposições antológicas em Santiago de Compostela e Nova Iorque (2000), Madrid (2008) ou Paris (2016). A pertinência e atualidade do seu trabalho provam-se ainda pela recente inauguração em Madrid, na Galeria Helga de Averlar, e em Londres, na Tate Modern. Também o Centro Cultural de Belém e a Fundação de Serralves dedicaram importantes exposições a uma artista que representou Portugal na Bienal de São Paulo (1979), na Bienal de Veneza (1982 e 2004) e na Bienal de Sidney (2004).

À Família enviam-se sentidas condolências.
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Áreas: Cultura