Transferência da STCP para municípios vai criar «nova dinâmica nos transportes coletivos da área metropolitana do Porto»
Transferência da STCP para municípios vai criar «nova dinâmica nos transportes coletivos da área metropolitana do Porto»

Ministro do Ambiente, Matos Fernandes, e presidente do Conselho Metropolitano do Porto, Hermínio Loureiro, na assinatura o memoerando que transfere a STCP para os municípios, Porto, 25 junho 2016
Descentralização, 25 junho 2016
A assinatura do memorando de entendimento sobre o novo modelo de gestão da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto «vai permitir dar um novo impulso à gestão da STCP, e, dessa forma, criar uma nova dinâmica nos transportes coletivos da área metropolitana do Porto, e melhorar a mobilidade dos seus cidadãos», afirmou o Ministro do Ambiente na cerimónia em que o memorando entre o Governo e seis municípios da Área Metropolitana do Porto foi assinado.
Matos Fernandes disse também que este memorando «é o início de um caminho. Um caminho que pretendemos concluir até 1 de janeiro de 2017, dia em que a gestão da STCP mudará de mãos: do Estado Central para as Autarquias».
Contudo, «a empresa STCP continuará a ser uma empresa do Estado pois o seu passivo histórico e o grau de desinvestimento dos últimos anos não permitiria que este alijasse as suas responsabilidades», assinalou o Ministro, na cerimónia presidida pelo Primeiro-Ministro António Costa.
Mas «se o Estado se mantém acionista, não se manterá como autoridade em muitas questões relevantes para o serviço público prestado para as populações», pois a Área Metropolitana do Porto «receberá as competências de autoridade de transporte, e através de uma unidade técnica de gestão específica, ficará responsável por propor todas as alterações desejadas por via da celebração de um
contrato de serviço público».
«Esse contrato definirá a rede, os horários, o tempo entre passagens, as paragens, o tipo de veículo, todas as questões relevantes do serviço de transporte coletivo rodoviário prestado pela STCP», afirmou o Ministro, acrescentando que a Área Metropolitana do Porto «tem uma visão do território mais próxima, e é responsável pela autorização e contratualização das restantes redes de transporte operadas pelos privados.
Matos Fernandes disse também que «ao delegar a função de autoridade de transportes na Área Metropolitana do Porto, o Estado cria uma oportunidade única de organização de mercado», seja ele operado por empresas públicas ou empresas privadas, assinalando que «há espaço para todos, e a população precisa de todos».
Com este modelo, «os Municípios indicarão a equipa de gestão da STCP. O Porto indicará o presidente do Conselho de Administração, e o conjunto dos Municípios indicarão três dos restantes membros do Conselho. Por sua vez, o Estado indicará o administrador financeiro».
Uma vez que os Municípios vão financiar «a rede que entendem adequada e possível para o serviço das suas populações, o Estado não abandonará a sua política social, e continuará a apoiar as pessoas com maior debilidade económica por via dos tarifários sociais. Aliás, esse apoio está a ser alargado a todo o País, por via da extensão do título Social +».
Contudo, «o papel do Estado não termina aqui. Enquanto acionista da empresa, será chamado a suportar uma parcela relevante do investimento, para renovar a sua frota e atualizar os ativos essenciais à prestação do serviço público», afirmou o Ministro.
Se vai ser a empresa a fazer o investimento necessário à prestação de serviço de qualidade, «o Estado permitirá encontrar as fontes de financiamento adequadas, e desenvolver todos os investimentos que se revelem críticos para sua atividade, sendo esperada uma redução das necessidades de financiamento a médio/longo prazo», disse ainda Matos Fernandes.
Foto: Ministro do Ambiente, Matos Fernandes, e presidente do Conselho Metropolitano do Porto, Hermínio Loureiro, na assinatura o memoerando que transfere a STCP para os municípios, Porto, 25 junho 2016 (Foto: Estela Silva/Lusa)
