Pacto para a justiça deve apostar na comunicação

Pacto para a justiça deve apostar na comunicação

Justiça, 18 outubro 2016

Ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, na iniciativa da Ordem dos Advogados «Desafios para um pacto futuro», Porto, 18 outubro 2016 (Foto: Estela Silva/Lusa)

«A justiça padece de um défice de informação», afirmou a Ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, na abertura da iniciativa da Ordem dos Advogados Barómetro da Justiça: Desafios para um Pacto Futuro, no Porto.

Referindo que «poucos setores do Estado são tão espartilhados e dispersos no plano da informação» como a justiça, a Ministra sublinhou: «A informação sobre a justiça é ainda segmentada, dispersa e muitas vezes não coerente».

«Nenhum pacto será possível se não existirem referências objetivas de análise partilháveis», disse ainda Francisca Van Dunem, acrescentando: «Por isso, o pacto deve incluir exigências em matéria de informação, em primeiro plano. Depois, também exigências de comunicação, de produção e externalização regular de informação».

A Ministra exemplificou: «A maior parte das vezes fala-se das coisas que não se sabe, designadamente quando se diz que a justiça é lenta».

Papel da informação

«É preciso perceber onde estão as dificuldades e esse é o problema, falamos todos com base em perceções e é nos segmentos que são lentos que é preciso intervir. É por isso que é preciso ter informação», referiu ainda Francisca Van Dunem.

A Ministra realçou também que «é indispensável que todas as instituições com responsabilidades na área da justiça produzam relatórios periódicos, disponibilizando informação sobre a sua atividade».

«A explosão do direito, primeiro, e - mais recentemente - a crise económica, geraram uma enorme pressão nos tribunais e vieram pôr a nu a finitude dos meios e a necessidade de introduzir melhorias na gestão da justiça», lembrou ainda Francisca Van Dunem.

Daí que «o afirmar que a justiça é lenta seja uma das mais acutilantes críticas que se têm feito ouvir em relação ao sistema», acrescentou, referindo – porém – que «devemos insistir na especificidade do tempo na justiça» dada a «associação do tempo ao elenco de garantias e à certeza e segurança jurídicas».

«Tenho uma enorme confiança na justiça e acho que as pessoas têm que ter confiança na justiça. Gerou-se a perceção de que a justiça não funcionava, e há segmentos na justiça em grande dificuldade, mas não é verdade que não funcione», concluiu.

 

Foto: Ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, na iniciativa da Ordem dos Advogados «Desafios para um Pacto Futuro», Porto, 18 outubro 2016 (Foto: Estela Silva/Lusa)

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