«É absolutamente essencial aumentarmos o investimento»

«É absolutamente essencial aumentarmos o investimento»

Investimento, 17 dezembro 2016

Primeiro-Ministro, António Costa, na inauguração das obras de requalificação do Largo Marquês de Pombal, Ponte de Sor, 17 dezembro 2016 (Foto: Nuno Veiga/Lusa)

O Primeiro-Ministro, António Costa, afirmou que «temos tido nos últimos meses, felizmente, boas notícias na economia», e exemplificou: «Temos estado a crescer mais, o desemprego tem vindo a diminuir, o emprego tem vindo a aumentar, temos exportado mais, temos hoje um défice menor, temos condições para reduzir a dívida».

Estas declarações foram feitas em Ponte de Sor, na inauguração das obras de requalificação do Largo Marquês de Pombal, um projeto que contou com um investimento superior a 376 mil euros, comparticipados por fundos comunitários.

António Costa disse ainda que «estas boas notícias têm de servir como incentivo para fazermos ainda mais e fazermos ainda melhor. E para não ficarmos, simplesmente, a olhar para trás, satisfeitos com o que tem acontecido, sem perceber que, para continuar a acontecer bem, temos de levar o País para a frente e, para isso, é absolutamente essencial aumentarmos o investimento».

Parcerias autárquicas são as ideais

«Os municípios estão a fazer o seu trabalho e a aproveitar as oportunidades para mobilizar os fundos que a União Europeia põe ao serviço de Portugal para poder fazer os investimentos que são necessários para melhorar as nossas terras», referiu também o Primeiro-Ministro.

Na inauguração do centro escolar de Porto de Mós a que presidiu de manhã, o Primeiro-Ministro afirmou que «as autarquias são as melhores parceiras na execução dos fundos comunitários».

«Em sucessivos quadros comunitários, as autarquias têm provado bem a sua capacidade de executar os fundos europeus», sublinhou António Costa, acrescentando que «as autarquias estão próximas das necessidades específicas de cada um e têm melhores condições, quer para perceber o que é necessário, quer para resolver mais depressa e com melhor acompanhamento a execução das obras».

Reforço do papel dos autarcas

O Primeiro-Ministro afirmou ainda que «foi um erro a diabolização que se fez do investimento público e, em particular, quando se viram as vias de comunicação como o diabo».

Estas declarações foram feitas em Castelo Branco, durante uma visita às obras de reconversão de um edifício industrial para um centro de criatividade.

«Agora é necessário executar o quadro comunitário e não desperdiçar um segundo, para recuperar o tempo perdido», referiu António Costa.

O Primeiro-Ministro disse também: «É fundamental que os presidentes de câmara, a partir das próximas eleições autárquicas de 2017, tenham outro peso, uma outra força na direção das comissões de coordenação e desenvolvimento regional», pois «é com eles que iremos desenhar o pós-2020 e temos de o fazer de uma forma que esteja imune às mudanças de Governo».

«É absolutamente essencial que, em 2018, seja aprovado na Assembleia da República, por uma maioria de dois terços, aquilo que se pretende como investimento estratégico para o país no pós-2020», sublinhou António Costa.

O Primeiro-Ministro acrescentou: «É essencial que haja um grande acordo entre as diferentes regiões, entre as diferentes forças políticas e entre os diferentes agentes locais».

«É necessário haver um entendimento conjunto e ter a capacidade de executar aquilo há para executar, para o bem e para o desenvolvimento do País. E é isso que, neste momento, estamos todos a fazer», referiu António Costa.

Cooperação transfronteiriça

«Durante séculos tivemos de estar de costas viradas para defender a nossa independência, mas hoje, felizmente, temos uma colaboração com Espanha completamente diferente», afirmou o Primeiro-Ministro.

António Costa acrescentou: «Somos vizinhos, somos amigos, somos parceiros na União Europeia e somos parceiros na NATO. Por isso, não temos de estar de costas voltadas. Pelo contrário, temos de estar de cara virada para Espanha e perceber que temos mais a ganhar, crescendo com esse grande mercado ibérico, do que aquilo que temos a perder».

Reafirmando a importância que os fundos europeus têm para o desenvolvimento do País, o Primeiro-Ministro sublinhou que «é necessário mobilizar todos os recursos do País». E realçou o papel do Interior nesse desenvolvimento.

«O território que tradicionalmente se apelida de Interior é a zona do País que está mais próxima da fronteira, e que facilitará a aposta nacional no mercado ibérico, o qual representa 60 milhões de habitantes», lembrou António Costa.

O Primeiro-Ministro acrescentou que o Interior «é a zona que está mais próxima do coração do mercado ibérico e que nos dá, por isso mesmo, uma nova dimensão, uma nova escala e uma nova ambição em que deixamos de olhar para nós como um pequeno país de dez milhões» de habitantes.

«É necessário intensificar a cooperação estratégica com o outro lado da fronteira» e «essa visão implica fazer ligações rodoviárias e ferroviárias» para «dotar todo território de fronteira das melhores condições para que aí se possa afirmar a base do crescimento que se perspetiva no conjunto do mercado ibérico», disse António Costa.

O Primeiro-Ministro concluiu: «É a partir destas cidades de toda a raia que nós conseguiremos construir a dinâmica de recuperação e desenvolvimento do conjunto do nosso País».


Foto: Primeiro-Ministro, António Costa, na inauguração das obras de requalificação do Largo Marquês de Pombal, Ponte de Sor, 17 dezembro 2016 (Foto: Nuno Veiga/Lusa)