Portugal quer total abolição da pena de morte nos países da ONU
Portugal quer total abolição da pena de morte nos países da ONU

Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva
Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva
O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, apelou aos países da ONU para estabelecer uma moratória de facto que seja vista como um primeiro passo para a total abolição da pena de morte, durante a sessão de abertura da reunião do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas em Genebra.
«Portugal rejeita todas as motivações e argumentos que venham justificar a aplicação da pena de morte», referiu, lembrando que Portugal foi pioneiro na abolição desta pena «há precisamente 150 anos».
Na intervenção, o Ministro realçou o papel do Conselho de Direitos Humanos, onde Portugal ocupa uma posição no último ano de um mandato de três anos, numa altura em que se observam «violações e abusos dos direitos humanos e da lei humanitária internacional».
Santos Silva lamentou a «trágica situação humanitária e de direitos humanos na Síria», a «deterioração da situação dos direitos humanos no Sudão do Sul, onde se regista violência sexual e assassinatos por motivos étnicos, e que exige um escrutínio próximo da comunidade internacional», e exprimiu ainda preocupação com a situação no Iémen, «onde os direitos humanos são violados devido ao conflito».
«Portugal continua a acompanhar com atenção os desenvolvimentos nos territórios ocupados da Palestina e lamentamos o contínuo agravamento da situação no terreno», acrescentou o Ministro.
Direitos humanos
«Todos os Estados são chamados a progredir em matéria de direitos humanos. Todos sem exceção. Sabendo que não há Estados perfeitos, a comunidade internacional deve dispor de incentivos para os Estados que progridem e desincentivos para os Estados que persistem em violar os direitos humanos», disse também.
Portugal «tem sido um defensor incondicional do Conselho de Direitos Humanos», disse o Ministro, que referiu a «responsabilidade primordial do Conselho para responder de forma rápida e adequada às violações de direitos humanos e abusos que ocorrem no mundo».
Augusto Santos Silva destacou ainda o português como «a quinta mais importante língua global, falada por cerca de 260 milhões de pessoas espalhadas em todo o mundo, unindo países situados em todos os continentes», referindo que espera que «possa tornar-se uma língua oficial das Nações Unidas».
A Plataforma Global para Estudantes Sírios, que apoia jovens sírios a prosseguir o ensino universitário em Portugal e foi criada pelo antigo Presidente de Portugal Jorge Sampaio, foi evocada pelo Ministro, que aproveitou a oportunidade para traçar um novo objetivo.
«Estamos agora empenhados na criação de um Mecanismo de Resposta Rápida para o Ensino Superior em Situações de Emergência, destinado a impulsionar as oportunidades de ensino superior para os jovens refugiados e deslocados forçados», disse.
O Ministro apelou também a que outros países apoiem esta iniciativa, «provando como a comunidade internacional pode trabalhar em conjunto e criar oportunidades para os mais afetados pela crise».
