Despesas com agrupamentos táticos da União Europeia devem ser partilhadas

Despesas com agrupamentos táticos da União Europeia devem ser partilhadas

Defesa europeia, 27 abril 2017

Ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, à chegada para a reunião dos Ministros da Defesa da União Europeia, La Valleta, 27 abril 2017 (Foto: União Europeia)

O Ministro da Defesa Nacional, José Alberto Azeredo Lopes, afirmou que «se justifica que as despesas com a projeção, sustentação das forças no terreno e retração dos agrupamentos táticos da UE sejam consideradas comuns, assumidas por todos os Estados-membros, e não apenas pelos que participam em cada agrupamento».

Em declarações à agência Lusa, o Ministro sublinhou que «este é um passo político muito importante, já que são medidas concretas em que os Estados-membros aceitam falar em comum quanto à eventual projeção dos agrupamentos táticos».

O modelo de financiamento dos agrupamentos táticos da União Europeia é um dos principais pontos na agenda do encontro informal dos Ministros da Defesa da União Europeia, em Malta.

Caso seja aprovada, esta alteração ao modelo de financiamento dos agrupamentos táticos - através da revisão do instrumento europeu que regula o financiamento comum de despesas militares na União Europeia (mecanismo Athena) - implicará um aumento da contribuição financeira de cada Estado-membro.

Atualmente, o que está definido é que cada Estado-membro assume as respetivas despesas de projeção, sustentação e retração das forças se e quando os agrupamentos táticos forem chamados a intervir em operações no terreno, o que até agora nunca aconteceu.

Reforço da segurança e defesa

«Portugal tem tido uma posição bastante cuidadosa neste domínio», disse ainda Azeredo Lopes, acrescentando que o Governo entende que «aqui sim, justifica-se este esforço para tornar comuns algumas despesas, mesmo que isso implique um encargo potencialmente superior para Portugal nas suas contribuições para a União Europeia».

O Ministro lembrou que «esta alteração tem a vantagem que resultará da participação portuguesa ser ressarcida ou recompensada e, por outro lado, o objetivo último de reforçar a dimensão comum da vertente da defesa e da segurança da União Europeia».

Desde a criação dos agrupamentos táticos da União Europeia, Portugal já manifestou disponibilidade para neles participar em 2006 e em 2011, por seis meses. No segundo semestre deste ano, Portugal participa também, com 140 militares, nesta força de reserva, liderada pela Espanha e para a qual contribuem Itália e França.

Aprofundamento da cooperação

«Portugal exprimiu o seu apoio claro ao reforço da capacidade na investigação e desenvolvimento de uma indústria de Defesa da União Europeia», afirmou Azeredo Lopes, referindo-se ao aprofundamento da cooperação estruturada permanente na área da Defesa, outro ponto na agenda da reunião.

«Isso pressupõe que a investigação se faça conjuntamente, tendo em vista gradualmente criarmos uma indústria europeia de Defesa, e não tantas indústrias europeias quanto os países que a compõe», concluiu.

 

Foto: Ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, à chegada para a reunião dos Ministros da Defesa da União Europeia, La Valleta, 27 abril 2017 (Foto: União Europeia)