Excedente das contas públicas deve-se à dinâmica da economia e do emprego
Contas públicas registaram pela primeira vez um excedente no primeiro trimestre do ano

Ministro das Finanças, Mário Centeno, faz declaração sobre as contas públicas do primeiro trimestre do ano. Lisboa, 24 junho 2019 (Foto: João Bica)
Ministro das Finanças, Mário Centeno, faz declaração sobre as contas públicas do primeiro trimestre do ano. Lisboa, 24 junho 2019 (Foto: João Bica)
«As contas públicas registaram um excedente de 0,4% do Produto Interno Bruto, no primeiro trimestre de 2019», disse o Ministro das Finanças, Mário Centeno, citados dados do Instituto Nacional de Estatística, numa declaração feita em Lisboa.
Esta é «a primeira vez desde 1995 que as contas públicas de Portugal apresentam um excedente no primeiro trimestre do ano», e isto «é resultado da dinâmica da sua economia e do seu mercado de trabalho.
O Ministro afirmou que a dinâmica da economia e do mercado de trabalho «é refletida no aumento da receita fiscal», que «cresce 5,1% no primeiro trimestre de 2019, num ano em que todas as taxas dos principais impostos foram reduzidas».
Aliás, a «dinâmica da economia e do mercado de trabalho» são o único fator que explica que «a receita fiscal aumente de forma expressiva», disse Mário Centeno, que acrescentou que «o mercado de trabalho tem associado ao crescimento do emprego o crescimento dos salários, e a demonstração disso é o crescimento de 6,5% das contribuições pagas à Segurança Social pelas empresas».
Melhoria dos serviços públicos
A esta dinâmica «junta-se a da Administração Pública no seu trabalho de melhoria dos serviços públicos, o que se comprova pelo aumento da despesa com o pessoal: são mais 5,2% face ao mesmo trimestre de 2018», referiu o Ministro.
«A explicação para esta variação reside em programas essenciais para a estabilização da Administração Pública, como a redução do número de precários, a atualização da base salarial (que foi feita no início de 2019), o descongelamento de carreiras e o reforço do emprego em áreas prioritárias, nomeadamente na saúde e na educação», disse.
Mário Centeno afirmou ainda que o investimento da Administração Pública em bens (Formação Bruta de Capital Fixo) «cresce, no primeiro trimestre do ano, 12%, acima da previsão inscrita no Programa de Estabilidade para 2019, e 87% deste investimento «é financiado diretamente pelo Orçamento do Estado, um esforço orçamental ímpar nas últimas décadas e que tem vindo a ser concretizado com muito rigor».
Este primeiro excedente orçamental do primeiro trimestre (a situação orçamental por trimestre é calculada desde 1995) «é, assim, conseguido com aumento da despesa, e quero sublinhar o enorme esforço feito no reforço dos meios destinados ao Serviço Nacional de Saúde e aos transportes».
O Ministro sublinhou que «no Serviço Nacional de Saúde, ao longo da legislatura, tivemos um reforço de 1600 milhões de euros, quando comparamos a estimativa da despesa de 2019 com a de 2015».
Estes mais 1600 milhões de euros repartem-se entre reforço da despesa com pessoal, mais 860 milhões de euros, e das verbas destinados aos meios de diagnóstico, aos consumos correntes dos hospitais e centros de saúde, mais 780 milhões de euros.
«Até abril de 2019 a despesa com o Serviço Nacional de Saúde estava a crescer 5,1% face ao mesmo período de 2018», afirmou ainda Mário Centeno, acrescentando que «nunca tivemos tantos médicos nem tantos enfermeiros no Serviço Nacional de Saúde»: mais de 4000 médicos e mais de 4500 enfermeiros «que viram o valor das suas horas extraordinárias reposto, as suas horas noturnas recompensadas, quer financeiramente, quer em termos de descanso».
